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DESTAQUE

Do canavial para a fama

A ex-cortadora de cana Ilda Alves, que mora em Sarandi, é uma das melhores maratonistas do país na atualidade

Quando Ilda Alves dos Santos cortava cana em Astorga, debaixo do sol, ganhando pouco e sendo explorada pelos patrões, nunca imaginou que um dia se tornaria uma atleta importante no Brasil. Nascida a 5 de fevereiro de 1972, em Santa Fé, cidade com cerca de nove mil habitantes próxima a Maringá, numa família humilde, ela precisou trabalhar aos nove anos para ajudar na manutenção da casa e na criação dos 13 filhos (!) da família. E, justamente por isso, não praticava esporte na infância e na adolescência e estudou somente até a quarta série.

Por influência do irmão Edmílson, que participava de corridas, Ilda começou correr em 1998, aos 26 anos. O início de carreira tardio também foi pela necessidade de uma melhor sobrevivência. Além de ganhar pouco na roça, ainda era enganada pelos patrões que alteravam as "metragens" para fazer com que os cortadores produzissem mais sem que ganhassem mais.



Ditado

Com a participação nas corridas e algumas premiações, ficou mais interessada no atletismo que no canavial. "Quando ia para as corridas, chegava a ganhar R$200,00 e aí eu desanimei de cortar cana", lembra explicando que ganhava somente R$ 3,00 por dia de trabalho na roça.

De jeito simples e simpática, Ilda abusa da expressão "como diz o ditado..." para contar passagens de sua batalha como cortadora de cana e de sua rápida ascenção no esporte. Em sua casa no Parque Alvamar 2, em Sarandi, ao lado de seus inúmeros troféus e medalhas – que nem ela mesma sabe quantos são – diz que quando não está treinando ou competindo, gosta de visitar a mãe que mora em Astorga e guarda mais troféus. "Sinto muita saudade dela!", revela com carinho e diz que já comprou uma casa com o dinheiro das corridas para poder trazer a mãe para perto.

A corredora é especialista em provas de percurso longo. As maratonas que Ilda participa tem, em média, três horas de duração. Para estar bem preparada, ela treina duas vezes por dia, correndo 25km no total. No sábado e domingo, a distância aumenta. Além de treinar rampa, ela faz 30km, sempre acompanhada pelo exigente irmão treinador. "O Edmílson é um bom treinador, só que enche o saco um pouquinho!" (risos) Mesmo com a reclamação, ela reconhece que essa cobrança dele, pode melhorar seu desempenho e é grata ao irmão. "Eu tenho que estar agradecendo o meu irmão por tudo isto que está acontecendo comigo", completa.



Mágoa

Mas, os treinos puxados não são os únicos problemas. A atleta reclama das críticas que sofre. "Eu pensava que era só colocar o tênis no pé e correr para ganhar. Só que no nível que estou, é mais difícil que começar uma carreira", justifica o falatório nos bastidores. "Quando eu e o Edmílson estávamos lá embaixo, não tivemos ajuda de ninguém. Agora, que estamos vencendo, tem gente colocando olho gordo!", insinua.

Uma passagem ruim na carreira de Ilda foi quando correu por Maringá. Aparentando mágoa, ela diz que correu com dinheiro do próprio bolso. "Eles (a Secretaria de Esportes de Maringá) fizeram promessas e não cumpriram". Além de todas estas dificuldades, ela ainda precisa lidar com as dores musculares que sente ao final das corridas. E, muitas vezes, não tem um tempo de recuperação suficiente porque já está inscrita em outra prova.

Foi o que aconteceu em novembro do ano passado. Correndo uma maratona em Curitiba, a ex-cortadora de cana abandonou a prova a pedido do treinador, que tinha a expectativa de uma melhor colocação em outra prova na semana seguinte em Brasília. E deu certo. Ilda venceu a Maratona de Brasília correndo os 42km da prova em 2 horas, 50 minutos e 21 segundos e recebeu um prêmio de R$ 8 mil.



Disney

Porém, nem sempre uma vitória é sinônimo de prêmio em dinheiro. Ilda dos Santos é bi-campeã da Disney World Marathon, em Orlando, nos Estados Unidos, onde venceu ano passado e em janeiro deste ano, onde fez o tempo de 2 horas, 48 minutos e 38 segundos. A paranaense foi 20º na classificação geral, perdendo apenas para para 19 homens entre 7.950 inscritos.

A prova é meramente participativa e não oferece premiação. Motivo pelo qual muitos atletas de ponta não participam. Mas, foi a que mais deu projeção à corredora que, atualmente, conta com um único patrocínio de uma empresa paulista que paga R$ 300,00 mensais.

A alegre atleta também participou de maratonas em Blumenau, Porto Alegre e São Paulo. Na Maratona Internacional de São Paulo, em julho do ano passado, ficou em sexto lugar entre dez mil atletas inscritos para correr o percurso de 42.195m. Ilda fez o tempo de 2 horas, 48 minutos e 56 segundos. Apesar de ser um tempo abaixo do que fez quando foi vencedora em Brasília, não foi suficiente devido ao melhor nível da prova.







O futuro de Ilda é promissor e os próprios atletas se assustam com seu rápido desenvolvimento. "Antes eu entrava nas corridas e tinha medo das mulheres, agora eu não tenho mais", afirma convicta. Dizendo que aprendeu a não depender de outras pessoas, ela explica que só passou a levar o atletismo a sério no ano passado. "Aprendi muita coisa e tenho muito mais para aprender!", conclui.

Texto e entrevista: Andhye Iore
Fotos: Ademir Kimura



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