| Maringá, sexta, 18 de janeiro de 2002
RELATO
Rodrigo comenta sua passagem por Castro e Piraí do Sul
Após
estabelecido o contato com o Ebraim Curi, do Departamento de
Cultura e Turismo, saímos às 8h30 para o levantamento
de potencialidades turísticas na região. A casa
da Cultura, do início do século XX, possui exposições
de obras de arte, peças antigas e algumas coisas relacionadas
ao movimento dos tropeiros.
Mas o que se destaca na região de Piraí do Sul
são os aspectos naturais. Exemplo disso é o local
onde se encontra a Pousada Serra do Piraí, com piscinas
naturais, quedas d’água e um atendimento excelente
do proprietário Emerson, que realiza trekking com os
seus hóspedes. A pousada fica a 16 km de Piraí.
Seguindo da pousada para o município de Ventania, após
18 km, visitei o canyon da fazenda Palmeirinha. Caracteriza-se
por possuir uma cachoeira de aproximadamente 70 metros que forma
uma piscina natural de águas transparentes margeada por
bancos de areia. O acesso é difícil e alterna-se
entre campos e matas.
Próximo à cachoeira, Eu, D. Paula (dona da fazenda)
e Ebraim tivemos que abrir uma picada para chegar até
a queda. Um local praticamente intocado e com grande potencial
para o turismo. Observando a região, embora o canyon
seja bem menor em extensão, arrisco dizer que a beleza
é igual ou superior ao Guartelá. Este canyon,
pelo que observei, é mais profundo em relação
ao Guartelá.
Na região de Piraí podemos encontrar na fazenda
Cercado Grande uma furna, com diâmetro de pequenas proporções
mas com aproximadamente 70 metros de profundidade. Esta propriedade
é banhada pelo rio das Cinzas, que caracteriza-se por
suas corredeiras e cachoeiras de grande beleza. Esta região,
por ser de formação arenítica, apresenta
águas transparentes, de seus muitos rios e lageados.
Visitei também o local onde era pouso de tropas, no
local onde hoje localiza-se o santuário de Nossa Senhora
das Brotas. Em Piraí, mesmo em parceria com a prefeitura,
me hospedei na casa do amigo Taylor, uma grande figura que cursa
Jornalismo, em Maringá.
PROBLEMAS
Na
localidade de São José dos Ausentes (única
localidade em que não tive boa recepção
por parte do secretário de Turismo) resolvi visitar o
canyon da Rocinha, distante 17 km da pequena e mais fria cidade
do Rio Grande do Sul. Saí apenas com as ferramentas e
remendos de pneu pois a estrada, além de não ser
pavimentada possuí muitas pedras.
Até o Vale das Trutas foram 12 km, alternando-se em
subidas e descidas. Deste vale, são mais 5 km de subida
e muita pedra até o canyon. Chegando lá, "estacionei"
próximo a uma rampa de asa delta e, após apreciar
a vista em que se pode observar até algumas cidades litorâneas
distantes 80 km dali, fui fotografar. Para a minhas surpresa,
as duas máquinas fotográficas estavam danificadas.
Uma eu havia molhado na tempestade que peguei no canyon Fortaleza
em Cambará do Sul e a outra, com filmes Preto e Branco,
simplesmente estava solta por dentro. Fiquei realmente chateado
por estar com duas e ao mesmo tempo nenhuma máquina.
Foi quando resolvi descer novamente e pedir uma máquina
emprestada na pousada do Vale das Trutas. Quando estava saindo
pela estrada que contorna uma antena, distraído, não
vi uma cobra, ou melhor, quando vi não deu tempo de fazer
nada, só de erguer as pernas para o bote da "bichinha"
não me alcançar. Foi tudo muito rápido
e eu fui para um lado e ela para outro. Não a matei.
Desci 5 km já pensando que aquele não era o meu
dia. No Vale das Trutas, após muita insistência,
consegui a máquina, deixando meu celular como garantia.
Subi novamente, tirei 36 fotos e desci. A noite, após
44 km de muito pó e sol, foi difícil dormir devido
as queimaduras: havia esquecido o protetor solar.
BELEZA NATURAL
Em Castro, Eu, Gilberto e Juliano, ambos da prefeitura, fomos
visitar a caverna Olhos d´Água. Nos dois dias anteriores
havia chovido, mas a informação é que o
acesso era possível. Após 36 km de carro e uma
caminhada de 500 m seguindo um curso d´água, chegamos
na caverna. Entramos e começamos a andar. A extensão
dela, segundo Juliano, é de 800m. Morcegos e aranhas
podiam ser observados quando iluminávamos as paredes
com interessantes formações. Em alguns trechos
era possível andar em pé e em outros era preciso
rastejar.
O rio acompanha todo o trajeto dentro da caverna, sendo preciso,
em alguns trechos, andar dentro d´água. Na metade
do percurso, quando desligamos as duas únicas lanternas
para esperar que alguns morcegos se aquietassem, me dei conta
de duas coisas: se houvesse um problema com luz, estaríamos
em uma situação um pouco desagradável,
pois a escuridão era total, ou seja, a volta seria impraticável.
A outra era a questão do rio que, quando chove, o volume
d´água aumenta rapidamente, inundando os pontos
onde o teto é mais baixos e, óbvio, impedindo
a passagem onde havíamos passado rastejando.
Lembrei então de uma história do Juliano (condutor
turístico) sobre o grupo de pessoas que tiveram que ficar
lá dentro esperando o volume d´água diminuir
para voltar. Lembrei também que a previsão era
de instabilidade e que escuras nuvens "cumulus nimbus"
estavam se formando quando entramos. Finalmente lembrei que
era conveniente voltar. Voltamos para não corrermos maiores
riscos e saímos sem que chovesse. É bom correr
riscos, mas sempre com um pouco de medo: de uma forma ou de
outra ele acaba te resguardando.
Rodrigo Martoni
Voltar
|