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HOQUEI TRADICIONAL

Histórico O Hóquei sobre Patins teve suas origens no início do século XX, na Inglaterra. É uma variação clara de outras versões do Hóquei, mas associou a ele o estilo Europeu do esporte arte. Se caracteriza pela condução de um objeto esférico com um bastão curvado na ponta, cujo objetivo é fazer gols.

As origens mais distantes do Hóquei datam de 2000 a.C. Gravuras funerárias gregas mostram praticantes de spheromachia, um jogo semelhante ao Hóquei na Grama. A primeira aparição da palavra "Hóquei", segundo alguns historiadores, aconteceu em 1527, derivada da palavra "hocquet", um jogo francês da idade média, que usava bastões para empurrar objetos. A palavra significa algo como "bastão de orientação".

É bem verdade que alguns historiadores incluem a criação da roda(4000 a.C.) e o desenvolvimento dos esquis(1100 d.C.) na origem do esporte, mas seremos mais realistas, reduzindo o campo histórico a um nível razoável.

Incluiremos então a origem do patins de rodas, criado pelo holandês Hans Brinkner em 1700, baseado nos patins de gelo, existentes desde 1572. Tal patins tinha apenas duas rodas e exigiam habilidades acrobáticas para seus usuários. Em 1760 o músico inventor Joseph Merlin criou uma segunda geração de patins, em Londres, que passou a ser constantemente atualizada nos anos seguintes.

Mas o responsável pela popularização deles foi James Plimpton, que desenvolveu um novo tipo de patins, em 1863. Os patins Plimpton, tinham dois eixos paralelos com um par de rodas cada, e eram capazes de executar movimentos circulares com sua arquitetura. Depois de vendidos por todo Estados Unidos e Europa, os patins incentivaram seu criador a inaugurar o primeiro rinque público do planeta.

Juntamente com o empolgante desenvolvimento dos patins de rodas, surgiam oficialmente as primeiras variações do Hóquei. A primeira liga de Hóquei no Gelo foi criada em 1855, no Canadá, e a de Hóquei na Grama apareceu em 1875, na Inglaterra. De uma "mistura" dos dois esportes, nascia o Rink Hockey, em 1885, data de sua primeira manifestação, no rinque Denmark Hill, em Londres. Praticado com bolas de cricket e estiques variados, difundiu-se por toda Europa e foi regulamentado na Inglaterra, em 1905, com o aparecimento da primeira Associação. No ano seguinte, foi disputado o primeiro campeonato oficial da história, no mesmo país.

O primeiro encontro Internacional de clubes que se tem notícia, aconteceu em novembro de 1910. A equipe Belga do Royal Rink Hockey Club foi à Paris, onde enfrentou e derrotou o Centaur Roller Club(3a0 e 3a1) e o Metropolitan Club(2a0).

A esta época, os filhos dos barões do café que estudavam na Europa, retornavam ao Brasil trazendo a novidade esportiva. Dentre eles, as famílias Rodovalho, Lara Campos, Simonsen e Porchat. Foi então que o proprietário do Rink Colúmbia, o Inglês radicado no Brasil, Sr.Harris, começou a promover animadas partidas de Hóquei para entreter seus clientes. Conhecido como o Pai do Hóquei, premiava os vencedores com "gasosas"(refrigerantes) ou doces.

Anos mais tarde, começavam a surgir os primeiros clubes em São Paulo, como o Skating Palace. Foi criada a Liga Paulista de Hóquei e com ela o primeiro Campeonato, vencido, em 1913, pelo Skating Hockey Clube. Na época, o Hóquei era jogado com estique de Hóquei na grama e bola de pólo a cavalo.

Em 1915, a Seleção da Argentina veio ao Brasil para enfrentar três equipes paulistas, nos primeiros jogos Internacionais destes países: venceu o Skating Hockey Clube por 2a1, o Red Ankor por 1a0 e empatou com o White H.C. em 2a2. Os brasileiros, reclamaram muito das concessões feitas ao goleiro Argentino, que jogava abaixado, o que não era permitido na época.

Neste mesmo ano, surgia no Rio de Janeiro a primeira equipe carioca de Hóquei: o Leme H.C.. Eles fizeram história ao vencer as equipes Norte Americanas dos navios de guerra "Pittsburg" e "Frederic", e os vice-campeões paulistas por 3a1 e 8a3, nos primeiros jogos Interestaduais do país. O fim do Leme H.C. em 1919, fez nascer o C.R.Flamengo, que venceu o selecionado Paulista por 5a1.

Enquanto o Hóquei nacional iniciava um período de declínio, depois da criação da Confederação Paulista de Hockey, em 1917, o Europeu mostrava grandes sinais de vitalidade. Em 21 de abril de 1921, em Montreux, na Suíça, era criada a Féderation Internationale de Patinage a Roulettes, em iniciativa dos Ingleses Jesset, Kaenells e Wallis; do alemão Max Walker; dos franceses Steinfinckler e Salomon; e dos Suíços Ablas, Albert Mayer, Otto Mayer, Fred Renkewitz e Werner Zeltner. Com o objetivo de organizar o Hóquei mundial, a FIPR, teve como primeiro presidente o suíço Fred Renkwitz, auxiliado pelo secretário geral Otto Mayer. Estavam filiados Alemanha, Inglaterra, França e Suíça. No anos seguinte juntaram-se Bélgica e Itália. Portugal só entraria em 1930 e o Egito, aceito anos depois, foi o primeiro filiado não europeu.

As primeiras equipes disputaram então o 1° Campeonato Europeu, em Herne Bay, Inglaterra, em 10 de abril de 1926. Até 1932, o Europeu foi um evento anual realizado alternadamente em Montreux e Herne Bay. O Campeonato de 1936, em Stuttgart, foi também considerado o I Campeonato Mundial, onde foram aprovados os primeiros estatutos da FIPR. O Europeu/Mundial de 1939 foi o último antes da II Guerra Mundial. Só em 1947, o Europeu/Mundial voltou a ser disputado. Em 1956, finalmente Europeu e Mundial se tornaram eventos independentes.

Em 1928, no Brasil, o Major Miguel Morinaro criava novamente a Liga Paulista de Hóquei, com sede no Rink Colúmbia, e presidida por ele. A entidade chegou a abrigar 40 rinques e 25 times. Mas foi a febre do mini-golf vinda dos Estados Unidos, em 1931, que reativou a paixão de paulistas e cariocas. O Cine República foi demolido e reconstruído novamente o Skating Hockey Clube, que retomou seu reinado.

Surgiu então a Associação Paulista, que não aceitava os vínculos da Liga com a Apea e o Futebol. Mas a empreitada não deu resultado e durou apenas 48 horas. Nascia também o semanário informativo "Patinando" e as primeiras regras, provisórias, já que não se conseguiam cópias das regras internacionais oficiais.

Tendo em vista o renascimento do Hóquei Paulista, o Leme H.C., do Rio de Janeiro, recriou sua equipe e organizou bem sucedidos amistosos com os paulistas. Ainda empolgados com o esporte, surgiram as primeiras equipes de Hóquei Feminino em São Paulo, como o Perereca H.C. e o Guarani Hóquei Clube.

Porém, o entusiasmo sofreu um duro golpe. Em 1932, a revolução Paulista, que tinha o objetivo de constitucionalizar o Brasil, levou a maioria dos atletas à luta armada e à morte. Por isso, o hóquei desapareceu por anos.

Em 1936, incentivados pelos entusiastas Raul Lara Campos, Antoninho Rodovalho, Alberto Uszbal e Superchi, o Hóquei finalmente reapareceu em São Paulo, instalado no Rinque Frontão Boa Vista. Os mesmos criaram, em 22 de maio de 1948, a Federação Paulista de Hóquei e Patinação. Chefiada inicialmente por Olímpio Silva e Sá, jornalista da "A GAZETA", a FPHP elegeu como primeiro presidente Ubirajara Martins.

Em 1949 era disputado o primeiro Campeonato Paulista, e em 1951, a FPHP reduziu o número de jogadores na pista de 7 (um goleiro, 2 beques e 4 atacantes) para os atuais 5(um goleiro, 2 beques e 2 atacantes).

Em 28 de abril de 1940, o Comitê Olímpico Internacional(COI), reconheceu oficialmente a FIPR, confirmando sua decisão em 1971. Apesar disto, o Hóquei só entraria no programa Olímpico em 1992, na Olimpíada de Barcelona.

Em 2 de julho de 1952, a FIPR mudou definitivamente seu nome para Federation International de Roller Skating(FIRS) e criou o Comitê Internacional de Rink Hóquei(CIRH), órgão responsável pelo gerenciamento do esporte. Tais acontecimentos motivaram a filiação de mais de uma dezena de países, entre eles Chile, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

Filiado, o Brasil então se inscreveu para participar, pela primeira vez, de um Campeonato Mundial. Para ir à Genebra, na Suíça, 1953, foi convocada a primeira Seleção nacional: Nilson Costa, Brenha, Raul Lara Campos, Caio, Moura, Antoninho Rodovalho e Crissiúma. A viagem, que classificou o Brasil na 10ª posição, foi paga por Raul Lara Campos, já que o Governador de São Paulo, L.N.Gorcer, desistiu de finaciá-la no último instante.

Como na Argentina o Hóquei era jogado com gol de futebol de Salão e no Chile a "bola" era o disco de Hóquei no Gelo, era impossível um Intercâmbio Internacional com diferenças tão grandes. Visando essa unificação de regras, o Comendador Brasileiro Hiada Torlay e o Uruguaio Nobel Valentini se reuniram no Hotel Lord, em São Paulo, 1954, para fundar a Confederación Sudamericana de Patín. Em Outubro, organizaram o I Sul-Americano de Hóquei, no Pacaembú, em São Paulo, vencido pelo Chile.

Enquanto isso, no Recife, José Ferreira Relvas, jogador do Parede H.C., de Lisboa, insistia ao presidente do Clube Português do Recife, Elisio Gomes, para introduzir o Hóquei nas fileiras do Clube. Nos meses que se seguiram, a proposta foi aceita e nascia o Hóquei Pernambucano, em 1954. A primeira quadra de Hóquei no Nordeste foi então construída no CPR, que cedia alguns atletas para clubes como o Barroso e o Atlético, interessado na criação de um Campeonato.

Em 1956, o Brasil recebeu a visita da equipe Portuguesa do Paços D'arco, Campeã nacional de 1955. Em São Paulo, derrotou a Sociedade Esportiva Palmeiras, por 8a0 (28/02/56), e o Clube Internacional de Regatas, em Santos, por 11a2 (01/03/56). A equipe Lusa foi então ao Recife. Lá, os três Clubes montaram uma seleção que disputava o primeiro jogo de Hóquei no Nordeste. Vitória dos Europeus, por 23a0.

Com um Hóquei estável, o Brasil resolveu a sediar o XVII Campeonato Mundial, em 1966. Realizado em São Paulo, no Ibirapuera, o evento reuniu 10 seleções, e amargamos o último lugar.

Em 1977, buscando uma maior integração do Hóquei Mundial, foi fundada a Confederação Européia e a Confederação Panamericana de Patinagem, com sede em Lincoln, Nebraska. Em 1982, o Comitê Internacional de Rink Hóquei resolveu dividir o Mundial em dois grupos.

Na década de 80, o Hóquei brasileiro passaria por muitas transformações. A primeira delas, apareceu com a criação do Sertãozinho Hóquei Clube, em 1980. Idealizado pelo jogador Haroldo Pérsio Requena e concretizada pelo prefeito de Sertãozinho(350Km de São Paulo), Waldir Alceu Trigo, foi criada a primeira equipe profissional do país. Buscando jogadores de outros times, o Sertãozinho acabava com a era do amadorismo puro, elevando o nível do hóquei nacional e coroando a cidade com o título de "Capital Brasileira do Hóquei".

Sertãozinho foi também responsável pela popularização e elitização do esporte. Depois de conquistar por 3 vezes o título de campeão Sul-americano, e inúmeros títulos Paulistas e Brasileiros a cidade sediou então o XXVII Campeonato Mundial, no qual o Brasil ficou na penosa 9ª posição. Com isso, o país foi rebaixado à 2ª divisão do Hóquei mundial.

Para recuperar o prestígio do Hóquei Brasileiro, os dirigentes máximos da modalidade desligaram o Hóquei e a Patinação da Confederação Brasileira de Desportos Terrestres(CBDT), em 8 de dezembro de 1988, para fundar a Associação Brasileira de Patinagem (atual Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação), especializada nos esportes sobre patins.

Sob o emblema da Associação Brasileira de Patinagem, depois Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, o Brasil foi Campeão Mundial da 2ª Divisão, retornando ao grupo Especial.

Desta forma, em 1990, o Brasil foi Campeão Sul-americano e, ao vencer o Campeonato Mundial B, em Macau, China, retornou a elite esportiva, de onde nunca mais saiu. Nos Mundiais de 1991, em Portugal, e em 1995, em Recife, o Brasil conseguiu sua melhor classificação: 4° lugar.

Em 1992, durante a Olimpíada de Barcelona, o Hóquei atingiu seu auge. Disputado como esporte de demonstração, reuniu 12 países, e coroou a Argentina como medalha de ouro. O Brasil foi 5°.

Foi então que o Comitê Olímpico Internacional orientou seus filiados que, para manter o status de esporte Olímpico, as modalidades deveriam ser praticadas por homens e mulheres. Assim, em 1992, era disputado o primeiro Europeu e o primeiro mundial de Hóquei Feminino.

No Brasil, a primeira equipe a ser fundada, foi a Associação Atlética do Banco do Brasil, em novembro de 1991, através de seu treinador Carlos Costa. Depois, veio a Sociedade Esportiva Palmeiras, no ano seguinte. Mas a data que deve ser considerada como a oficial do nascimento do Hóquei feminino do Brasil é 25 de abril de 1992, dia do primeiro confronto. Nele, o Palmeiras venceu a AABB por 1a 0, gol da atacante Patrícia Perini.

Quando apareceu o Clube Internacional de Regatas, foi realizado o primeiro campeonato feminino do Brasil: a Taça Cidade de São Paulo, em 26 de setembro de 1992, no qual o Palmeiras foi Campeão. O primeiro paulista, vencido pelo Palmeiras, aconteceu em 1993, uma ano antes do primeiro Brasileiro, vencido pela A.A.B.B., em 1994.

Incentivados pelas excursões do Palmeiras, financiadas por Antonio Martins, o Recife se tornou o segundo maior pólo de Hóquei feminino do país. Desta forma, em 14 de julho de 1993, acontecia o primeiro jogo interestadual: a recém formada equipe do Clube Português do Recife foi derrotada pelo Palmeiras por 7x0. No ano seguinte surgiram a Associação dos Amigos do Minho e o Sport Club do Recife, que participaram do primeiro campeonato Interestadual, o Torneio dos 60 anos do Clube Português, vencido pelo Palmeiras.

Em junho de 1994, a excursão do Palmeiras à cidade de Sertãozinho antecipou a formação da equipe interiorana. Da mesma maneira, as equipes de Recife fizeram nascer o Hóquei feminino do Ceará. No Rio de Janeiro, as equipes de Teresópolis e do Sesi-Rio surgiram naturalmente.

Desde então, o Hóquei feminino no Brasil se tornou uma realidade, e hoje é uma das maiores potências mundiais. Dentre os campeonatos que são disputados regularmente, estão o Campeonato Paulista, o Pernambucano e o Nacional.

Em 1994, o Brasil já disputava seus primeiros torneios Internacionais. Em março, sediou a I Copa Intercontinental, vencidas pelas Alemãs do Calemberg. Em julho, a A.A.B.B., foi à Portugal, de onde trouxe um vice-campeonato. Em outubro, o Brasil participou pela primeira vez de um Campeonato Mundial, em Portugal. As atletas Fernanda Gonçalves, Tatiana Veggi, Luciana de Martino, Daniela Barbosa, Cristiane Okada, Paula Sakuma, Patrícia Martins, Patrícia Perini, Amanda Bayer e Marina Orfali, comandadas pelo Técnico Caetano Boncristiane se classificaram em 11° lugar (19 participantes), com uma ótima campanha. A atacante Patrícia Martins foi a artilheira do Campeonato, título inédito para o Hóquei do Brasil.

Atualmente, em São Paulo, a FPHP criou condições especiais para tornar mais simples e viável a filiação de equipes, o que anteriormente era possível apenas para clubes e associações com personalidade jurídica e uma estrutura relativamente complexa. Foi regulamentada e admitida a participação de equipes como "Filiados Experimentais".

Por fim, a globalização do final de milênio, vem ajudando muito o hóquei a se tornar um esporte popular. O uso excessivo dos meios de comunicação, como a Televisão e a Internet, tem ajudado muito o Hóquei a conquistar o seu merecido lugar no cenário esportivo mundial.


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