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CONVITE AO CINEMA: Almas Maculadas

CONVITE AO CINEMA: Almas Maculadas



Quando: 14/12/2019 (Sáb.)

Horários: 20h00

Onde: Auditório Hélio Moreira (Anexo ao Paço Municipal)

Quanto: Gratuito




Programação

EUA/1958 – 91min.
Direção: Douglas Sirk
Elenco: Rock Hudson, Robert Stack, Dorothy Malone e Jack Carson
Classificação: 16 anos

Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Coordenação e Curadoria: Paulo Campagnolo

De Fassbinder a Almodóvar, passando por Todd Haynes, Wong Kar-wai e Lars von Trier, entre tantos outros, as dívidas com o mestre alemão Douglas Sirk (1897 – 1987), que fez carreira nos Estados Unidos, é imensa. De gênero adorado pelo público, entre os anos 30, 40 e 50, até a sua revitalização em filmes arrematados tecnologicamente, como o astuto "Titanic" (97), de James Cameron, o melodrama conheceu a glória e a derrota em proporções muito próximas – sem contar que a intelligentsia cinéfila massacrava o gênero, sem dó nem piedade.

Um dos grandes artífices desse "estilo", capaz de levar às lágrimas o mais empedernido dos espectadores, foi Douglas Sirk. Depois de iniciar no cinema, em 1935, na Alemanha, sob a sombra do Terceiro Reich, Douglas Sirk vai para a Suíça e Holanda, onde realiza alguns trabalhos, e depois torna-se cidadão americano, na década de 40, onde inicia uma carreira com obras marcantes que o tempo acabou por consagrar. Mesmo tendo realizado comédias e westerns (como o belo "Herança Sagrada", de 1954), foi com o melodrama que Sirk construiu sua reputação – alcançando enorme sucesso popular (mas não com a classe média), principalmente nas refilmagens fulgurantes e barrocas de um outro mestre, John M. Stahl ("Sublime Obsessão", "Sinfonia Interrompida" e o sempre muito lembrado "Imitação da Vida").

Porém o tempo, mais uma vez, provou que foram suas obras mais pessoais que melhor resistiram à passagem dos anos e que estão, hoje, entre os grandes filmes americanos de sempre. Nesses filmes, plenos de investidas morais e desmistificadoras, "o lirismo de Sirk transcende o melodrama sob a forma de imagens fulgurantes do fim de um mundo, senão do mundo" (segundo Jean Tulard). Apesar de "Palavras ao Vento" (1956) ser considerada a sua grande obra-prima, "Almas Maculadas" era considerado pelo próprio Sirk como o seu mais belo trabalho – uma obra de extraordinária dimensão poética que, apesar do escopo melodramático, contém uma cisão drástica na mise-em-scéne de Sirk, raramente menos que sublime.

"Almas Maculadas" traz Rock Hudson, em desempenho inesperado (e, talvez, já tenha passado da hora de reavaliarmos seus pendores dramáticos) como um jornalista de New Orleans que descobre, num festival de performances aéreas, um ex-herói da Primeira Grande Guerra (Robert Stack) que, com sua mulher (Dorothy Malone), o filho e o amigo mecânico (o ótimo Jack Carson), participa dos campeonatos com aviões para descolar uns trocados e sobreviver em meio à depressão americana. Estamos em 1932 e o roteiro (de George Zuckerman) é baseado em "Pylon", do gênio vencedor do Nobel (49) William Faulkner – de obras desafiadoras como "O Som e a Fúria", "Palmeiras Selvagens", "Luz em Agosto" e "Absalão, Absalão". Faulkner, é bom saber, considerava "Almas Maculadas" a melhor transposição de uma obra sua para o cinema.

Burke Devlin (personagem de Hudson) vê na história do ex-piloto da Primeira Guerra, Roger Shumann, uma matéria sensacional a ser destrinchada – ou seria sensacionalista? Verá, mais tarde, como testemunha, ora passiva, ora ativa, um mundo arruinado moralmente e diante do qual desempenhará papel importante. No entanto, será LaVerne, a esposa de Roger (uma Dorothy Malone contida mas, ainda assim, quase curvando-se sob o peso da própria languidez e melancolia), que desempenhará o papel de agente de resistência moral que acabará por redimir os demais personagens das consequências inalienáveis da tragédia. Esta, a tragédia, está configurada desde o início e não termina, naturalmente, mesmo depois do The End.

Para Sirk, é preciso dizer, o ideal "é a tragédia grega, em que tudo se passa em família, num mesmo lugar. E essa família é idêntica ao mundo, é o símbolo deste mundo". Redescoberto por Fassbinder (1945 – 1982), nos anos 70, e que o transformaria no paradigma do seu cinema, Sirk demorou para alcançar o olimpo dos grandes mestres. Ao assistir "Almas Maculadas" é difícil entender porque. Afinal, tudo está lá: a exuberância das cenas, os enquadramentos apaixonados, o cinemascope como uma enorme janela para revelar um mundo em frangalhos, o preto e branco de contrastes intensos (na fotografia de Irving Glassberg) e, ainda, personagens demasiado humanos (a anos luz de distância do cinema escapista dos anos 50). E mais: subtextos críticos que distorcem, enfaticamente, a noção de uma cultura popular e instaura uma ironia e crueldade únicas – além de uma reflexão potente sobre o materialismo americano.

Sarcástico e sofisticado, Sirk soube como poucos valer-se do melodrama para escancarar o mundo das aparências (e impotências), onde os espelhos não nos revelam mais como julgamos que somos, mas como uma máscara bizarra, num mundo que não corresponde aos nossos anseios. Há de se notar ainda o equilíbrio dramático fabuloso que contrasta com os diálogos afiados (suavizados, em relação ao livro, devido à censura), amargos e crepusculares, uma plasticidade de cair o queixo e uma pontuação musical (de Frank Skinner) que favorece as tensões com enorme acuidade. E, num clima de derrocada, alcoolismo, cadáveres e arrivismo sexual, Dorothy Malone, trafegando entre a luz e a escuridão, transforma LaVerne numa personagem arrebatadora. Com Stack, Hudson e Sirk e a nostalgia de um grande cinema. – Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema

 

 

 

 

 

 



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