A noite
16/03/2005
Você está sempre se mexendo, principalmente quando estamos em alguma festa ou local de agito, de música alta. Parece que dá o ar da graça só para mostrar que está participando de tudo. Será que nosso filho vai ser um boêmio? Esperamos que sim. Boemia é vida, é alegria.
De noite, os boêmios esquecem de tudo. Das dívidas, das guerras, do trabalho, do carro que quebrou, da pia que está vazando, da conta que vence no dia seguinte. Quando a noite chega, com seu véu escuro, nos convida a viver num mundo de sonhos, de fantasias. Vai quem quer. E pode.
Assim deveria ser a vida. As vinte e quatro horas de um dia. Para quê tantas preocupações? Para quê tanta seriedade? Tanto mau humor? Estas coisas é que nos matam diariamente. Dizem que quando nascemos, começamos a morrer. O mundo acredita e faz disto sua forma de viver. Esperando a morte.
Sabe que hoje completo meus 38 anos? Só me lembrei disto agora. Algumas pessoas dizem: “ê Dirceu, 38 anos nas costas, hein?”. E daí? Que diferença faz ter 18, 30 ou 38? A vida é a mesma. E ainda tenho a vantagem de ter mais experiência, mais conhecimentos...
Me pergunto a cada dia o que a humanidade fez de suas vidas. E em nome de quê ela fez o que fez... Ah, qual a relação disto tudo com a noite e com os boêmios? O boêmio é um ser despreocupado, alegre, um ser que vive, que sente a vida pulsando em suas veias. É feliz sem saber que o é. Só isto.
Dirceu Herrero Gomes
crônica retirada do arquivo Pedro