Idéias
Confissões de um aniversariante!
16/03/2005
Estava aqui pensando sobre o dia do meu aniversário.
É sempre estranho este dia. É que, como bom bicho
do mato, gosto mais de me esconder do aparecer. E não
tem jeito: no dia do aniversário lá está
o nome no mural, estampando para todos que estou ficando mais
velho. Claro, sei que ele também diz que devo comemorar
o fato de ter nascido. Mas, por outro lado, também diz
que é o primeiro dia em que começaram a contar
minha idade e, por consequencia, mostra que estou ficando mais
velho e, nova consequência, mostra que meu corpo não
tem o mesmo vigor de antes, que devo pensar duas vezes antes
de praticar algumas ações, que tenho responsabilidades
(acreditem: muitas só vem com a idade), que tenho menos
tempo de vida.... ufa!
Vocês devem pensar que estou me tornando um velho rabugento.
Pra começar, velho é a mãe. Pra terminar,
não tem o que negar: tudo que escrevi ali atrás,
é matemática, da mais pura lógica.
Bom, mas comecei este texto pra dizer que este dia é
estranho. As pessoas chegam, sorridentes, pra nos dar os parabéns.
Na primeira ou segunda, tudo bem. Mas lá pela décima
quinta já não sei mais o que responder ou que
cara fazer. Pior é aquela que vem dar os parabéns,
congela o sorriso e fica a nos olhar esperando sei-lá-o-quê.
E tem também as cobranças irritantes:
- onde vai ser a festa? Aniversariante que se preza tem que
dar festa, hein.
- Cadê o bolo?
- Oba, hoje tem cervejada... por conta do aniversariante, claro!
E os indelicados? Estes são poucos, mas que existem,
ah existem. Imaginem eles chegando, com aquele mesmo sorriso-especial-congelado-pra-agradar-aniversariante:
- Ficando mais velho, hein!
- Há, há... 42 anos num corpinho de 41!
- Os anos não enganam nunca. Olha aí: chegou nos
enta e já começam a surgir as rugas...
Ah, tem também a turma da festa. Aquela que organiza
tudo. Faz vaquinha pra comprar presente, compra bolo, prepara
as velinhas pro velhinho e faz aquela surpresa ma-ra-vi-lho-sa!
Você entra numa sala e fica com cara de tacho diante de
uma porção de gente que foi ali por obrigação,
mas que está de olho mesmo é no bolo.
Que dia hein! Viram como é horrível fazer aniversário?
Como é horrível, para um espírito solitário,
ser o centro das atenções? Com toda sinceridade,
eu adoraria pular esta data. Que o calendário fosse meu
amigo e me desse um presente antecipado: saltasse o dia do meu
aniversário. Da véspera, passaria automaticamente
para o dia seguinte.
Mas, como isto é impossível, por favor, não
esqueçam de mim não. Podem me dar os parabéns.
Fazer festa. Beijar, abraçar, desejar felicidades. É
que aprendi a duras penas que, pior que ser o centro das atenções,
é não receber a atenção de ninguém.
Dirceu Herrero Gomes
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