• Maringa.com no Facebook
  • Maringa.com no Twitter
  • Maringa.com no Google+

Cronistas

Jamais consegui compartilhar com alguém os momentos em que me vem a inspiração para escrever crônicas. As idéias chegam quando estou sozinho. E sozinho tenho que estar quando as transcrevo. Geralmente, no silêncio e privacidade das madrugadas.

Esta necessidade de isolamento fazia com que me sentisse em débito com a família. Até que comecei a perceber algo em meu "guru" Rubem Braga. Em suas crônicas, ele nunca citou esposa ou filhos. Apenas namoradas, amantes e amores platônicos. Me lembro de uma crônica fantástica que ele fez para uma filha que nunca teve. Num primeiro momento, parece que o Braga poderia ser um pobre e infeliz solitário. Não creio nisto. A felicidade de suas crônicas, leves, poéticas, sensíveis, me fazem crer que ele foi um dos caras mais bem resolvidos do planeta.

Mas, o que me faz citá-lo neste momento é o aparente desapego do cronista com sua família. Ao constatar esta característica no Braga, me senti um pouco aliviado. Será esta a sina dos cronistas (mesmo aqueles medíocres como eu)? Tive esta "certeza"  ao saber de uma crônica de outro Rubem, o Fonseca. Ele teria escrito que para ser cronista é preciso sair pelo mundo como andarilho. E, todos sabem, os andarilhos são solitários - o máximo que se permitem é a companhia de um cão, desde que seja fiel e maltrapilho como o dono.

O tema "cronista solitário" aguçou minha curiosidade e percorri meus poucos livros à procura de alguns autores do gênero. Folheei várias obras. O Carlos Heitor Cony em dado momento, diz que chegou aos 50 anos vindo de uma separação recente. A segunda. Mas, não chegou aos 51 anos separado. Traidor. Retiro-o do rol dos "cronistas solitários". Aliás, sua narrativa não faz meu estilo. Logo, em geral, não gosto de suas crônicas.

Abri o livro "Conversa de Botequim" de um cronista local. Messias Mendes. Conheço-o bem. E é casado, com três filhos. Bom, só que ele faz textos políticos, com análise crítica da realidade. É um outro estilo. Descarto o bom Messias. Chego ao Osvaldo Reis, outro escritor local. Escreveu sobre o "folclore político". Se enquadra bem como "cronista solitário".

Está sempre rodeado de amigos. Se conta piadas, ri. Se não conta, seu olhar se perde no nada. Triste. Imagino-o a contemplar a lua cheia nas madrugadas, enquanto busca a lembrança de algum "causo" para escrever. Penso que não deve usar um computador, tão romântico e nostálgico deve ser.

Vejo meu livro, perdido entre os outros. "Cartas para Marília". Será que alguém, lendo as crônicas que fiz para minha filha, "verá" um autor solitário? Não. Com certeza aquele Dirceu também traiu a sina dos cronistas. Vive duas vidas. Uma para a família, para a sociedade. E outra de sonhos

Sonha, seja sozinho nas madrugadas, ou mesmo acompanhado em reuniões de trabalho ou família. Em qualquer momento, tem o dom de se perder em pensamentos distantes, procurando em algum lugar a inspiração. Guarda na memória, num guardanapo ou qualquer outro papel, as idéias que no momento certo irão compor uma crônica.

Por isto, se alguém me surpreender com olhar perdido, distante, não deve me tomar por louco. É apenas o "cronista solitário" tomando emprestado meu corpo cansado para perseguir seus sonhos.

Dirceu Herrero Gomes

 

Voltar

CLASSIFICADOS MARINGÁ.COM



Edifício Acqua Marine
Edifício Acqua Marine - Apto: 307 - Andar: 3° Endereço: Bragança, ...
R$ 0,00


INTERNET SEM CUSTO TEL...
PROMOÇÃO 60 DIAS PARA PAGAR PRIMEIRA MENSALIDADE - Se você não ut...
R$ 0,00


Compro Gravador de CD ...
Compro Gravador de CD de mesa!...
R$ 0,00


VIDA NOVA FRETES E MUD...
VIDA NOVA FRETES E MUDANÇAS PARA TODO O PARANA,QUALIDADE E SEGURANÇA ...
R$ 0,00


EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO...
ACEITAMOS: VISA, MASTER, HIPERCARD, AMERICAN EXPRESS, ELO. TENHO ...
R$ 0,00


CLASSIFICADOS GRÁTIS