Idéias
O poder da oração
11/04/2007
Saio apressado de minha sala. Paro diante de uma colega. Fico
calado. Olho fixamente para ela, que também passa a me
observar. Curiosa. Talvez insegura. Desabo na cadeira ao seu
lado. Tenho vontade de correr. Sumir. Evaporar. Digo que esqueci
o que vim fazer. Ela compreende. Comenta que as pessoas estão
assim, nervosas, perdidas, desanimadas. Que o clima está
pesado.
“Que tal um padre? Ele pode abençoar nosso ambiente
de trabalho”. A idéia foi logo aceita. E esquecida
por mim. Só para variar. No dia seguinte, estou sentado,
cercado por papéis que me ameaçam a cada instante,
quando a colega me diz que o padre já chegou. “Padre,
que padre?”, pergunto, olhando minha agenda para ver se
marquei alguma reunião com o religioso. A ficha demora
para cair...
Padre Chiquinho entra na sala. Conversamos rapidamente sobre
a loucura do mundo atual. Vivemos apressados. Trabalho. Trabalho.
Trabalho. E o lazer? E a vida particular? E a família?
Ele diz que é preciso manter a serenidade. Ela nos faz
tomar as decisões corretas.
Ah, padre. Gostaria que o senhor vivesse na minha pele uma hora
do dia. Como manter a serenidade nesta pressão? Minha
gastrite é alimentada a cada segundo. São pepinos,
abacaxis, batatas quentes. E tantas outras metáforas,
suficientes para preencher um livro de receitas.
Outros funcionários vão chegando para a benção.
Alguém reclama do excesso de trabalho. O padre frisa
que o mundo atual realmente está massacrando as pessoas.
Mas, dos males o menor. Lembra que muitos dariam tudo para estar
no nosso lugar. Afinal, faltam empregos! Fala novamente sobre
serenidade.
O padre se prepara. Pede água. Reza para que Deus abençoe
o ambiente e a todos os presentes. E fala mansamente sobre a
vida. Sua voz é suave, calma. Meus olhos começam
a lacrimejar. Minha primeira atitude é frear meus sentimentos.
Não, neste momento devo dar vazão a eles. Não
sei por que, mas tenho a convicção de que chorar
me fará bem.
Oramos o “Pai Nosso”. As lágrimas umedecem
meu rosto. Junto com elas, me livro de todo o excesso de peso
que carrego. Aos poucos, vou me sentindo leve. O sintoma da
gastrite desaparece. Sem qualquer remédio. Só
com palavras. E com um clima contagiante, que melhora o astral
de muitos ali presentes. Ou quem sabe, de todos.
Após descarregar nossas energias negativas e recarregar
as baterias com muita fé, combinamos repetir sempre aquele
ritual. Parece que encontramos um caminho. E todos foram convidados
a segui-lo. Seria o caminho da serenidade?
10/1299 – 23:55 horas
Dirceu Herrero Gomes
Nas asas da Felicidade
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