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Idéias

Ser feliz ou ter razão?
08/03/2005

Este é um relato de uma pequena história do cotidiano de duas pessoas. Já passam das oito da noite, numa avenida movimentada e o casal está atrasado para jantar na casa de alguns amigos. O endereço é novo, assim como o caminho, que ela conferiu no mapa antes de sair. Ele dirige o carro.

Ela o orienta, pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele, por outro lado, tem certeza de que é à direita, então, discutem.

Percebendo que, além de atrasados, poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele então vira à direita e percebe que estava errado. Ainda que, com dificuldade, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar alguns minutos mais tarde.

Mas ele ainda quer saber: "Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais". E ela diz: "Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Nós estávamos à beira de uma briga e se eu insistisse mais, teríamos estragado a nossa noite".

Esse é mesmo um pequeno relato, contado por uma empresária sobre simplicidade na vida, seja na família ou no mundo dos negócios. A cena ilustra quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de ter ou não. Não se trata de abolir a razão e buscar a felicidade por meio da aprovação do outro a qualquer custo e também não significa deixar de expressar suas opiniões.

Uma atitude assim poderia gerar muitas injustiças. Trata-se de avaliar quando realmente é necessário argumentar pela razão, e quando isso é apenas uma perda de energia desnecessária, comprometendo nosso bem-estar.

Desde que ouvi esta história, tenho me questionado com mais e mais freqüência: quero ser feliz ou ter razão? A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso.

A viagem deve ser tão boa quanto o destino e a felicidade não é o destino, mas a viagem. Aristóteles já disse: “Por diferentes caminhos estamos todos em busca da felicidade”, mas tenho certeza que quando ele referia-se a estes caminhos, seria por meio da simplicidade. O ser humano gosta muito de complicar as coisas simples.

Uma vez perguntaram a Confúcio: - O que mais o surpreende na humanidade? Ele respondeu: - Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e, depois, perdem o dinheiro para recuperar a saúde.

Sucesso é ser feliz tanto na vida pessoal como no trabalho. Se você faz o que todo mundo faz, chega onde todo mundo chega. Se você quer um lugar onde a maioria não chega, precisa fazer o que a maioria não faz.

Muitas pessoas pensam ansiosamente no futuro e esquecem o presente de tal forma que acabam por nem vivê-lo. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.

Gilclér Regina

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