Idéias
É mudo ou não é?
20/10/2005
Sala cheia.
Amigos reunidos, jogando conversa fora, depois de um farto almoço, regado a um bom vinho, com direito a sobremesas, café e até licor.
E, antes que o caminhão do lixo levasse todas aquelas barbaridades, catei tudo e guardei no meu cerebral drive “inutilidades”.
- Quem se lembra do Adevaldo?
- Aquele que falava adevogado?
Deu-se, então, início, a uma acalorada discussão.
- Que absurdo! A letra D, neste caso, é muda.
- Mas, se é muda, então o Adevaldo, que falava adevogado, estava certíssimo.
- É verdade! A letra chama-se D e pronuncia-se DE.
- Ademoestado.
- Adejunto.
- Adevérbio.
- Adeventistas.
- Um minuto, por favor! Isso não está correto! Se o D é mudo, então, ele não fala e se não fala, deveríamos pronunciar Avogado.
- Tem procedência!
- Amoestado, ajunto, avérbio e aventistas.
- Ademirar ou amirar?
- E abrupto? Como se pronuncia isso?
- Só pode ser aberupto ou arupto.
- Ab-rupto fica estranho!
- Abegail tinha um abecesso, tinha peneumonia, acabou fazendo uma apenéia respiratória e foi a óbeto.
- Não! Nada disso!
- Abigail tinha um abicesso, tinha pineumonia, acabou fazendo uma apinéia respiratória e foi a óbito (vixe, tem coisa errada por aqui!)
- Que tal, Agail tinha um acesso, tinha neumonia, acabou fazendo uma anéia respiratória e foi a óto?(onde ela foi?)
Que língua estranha a nossa, e ainda insistimos em querer aprender.
- Estou ficando cansada e abrrecida. Ai, meu Deus, que loucura! Estou apenas aborrecida e faço uma obejeção! Vamos tentar ser mais obejetivos, por favor!
- Eu concordo! Acho tudo isso uma obescenidade, um atentado ao pudor gramatical!
- Uma oscenidade, você quer dizer, não?
- Não sei. Estou ficando obenubilada com toda essa conversa obetusa. Não posso mais ademitir tanta bobagem e vou embora, antes de sentir a loucura total.
- Por favor, fique mais um pouco. Vamos começar uma discussão importantíssima sobre a letra F.
- Quem se lembra daquele ofetalmologista
Valéria Nogueira Eik
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