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Idéias

Rosa e prata
20/10/2005

Amuada num canto da parede,

torcia para que as nuvens ficassem escuras e pesadas

e despencassem lá do céu.

Ela estava linda, meio prata, meio cor de rosa,

ansiosa pelos ventos

e pronta para a vida.

Mas, o sol ameno sustentava uma guerra fria contra os temporais

e ela permanecia fechada em si mesma e para o mundo,

numa tristeza que fazia dó.

A lua chegou, trazendo laminados alegres e coloridos,

que se aninharam nas extremidades da sombrinha,

tornando-a ainda mais bela.

Ela rodopiou, rodopiou e riu,

apreciando os movimentos de todas as cores.

E pelas mãos da moça morena,

ganhou a avenida e dançou para as estrelas,

num sobe e desce delirante e ritmado.

Amanheceu bêbada de glórias,

cansada e esquecida

num meio fio qualquer do abandono.

A chuva caiu, enfim, borrando-lhe as tonalidades,

que escorreram desbotadas pelas ruas.

E os garis vieram e recolheram os restos de festa.

O dia ainda pôde avistar lá muito longe,

movimentos aflitos, prata e cor de rosa,

que sacolejavam ladeira abaixo,

ao lado dos últimos soluços de uma garrafa de cerveja.

 

Valéria Nogueira Eik

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