Idéias
Silêncio
29/06/2005
Sou uma escritora destrambelhada e teimosa.
Escrevo entre gritos, pedidos e lamúrias.
As idéias vem e fogem, tendo que ser recapturadas à laço.
É o telefone que toca.
É o interfone que incomoda.
É o almoço por fazer.
Idas e vindas a tantos lugares.
Loucura escrever.
Mas, vou insistindo e resistindo à tentação de mandar tudo às favas e sair pelo mundo numa bicicleta.
Apenas uma bicicleta e uma mochila nas costas.
Melhor seria uma moto possante, realizando sonhos antigos.
Mas, nem uma coisa, nem outra.
Serei apenas uma escritora das horas vagas.
Engolir a raiva ao ver uma idéia pronta ir pelos ares, ante a porta que se abre num estrondo.
Ante o telefone que vai guinchar ao invés de tilintar.
Ante o irritante ruído do interfone:quer gás, quer vassoura?
Não quero nada.
Quero apenas ser deixada em paz, com os meus loucos pensamentos, e simplesmente escrever o que me vai na alma, num silêncio abençoado de umas poucas horas.
Quero apenas deixar a minha alma vadiar, enquanto escuto meus próprios passos caminhando sem rumo e sem pressa, sem relógio ou documentos, sabendo que por algum tempo estarei segura dentro desse abandono. Pensamentos.
Idéias.
Ah! Se eu encontrasse o gênio da lâmpada, neste momento, com toda a certeza ele se surpreenderia com o meu pedido.
- Gênio! Quero uma coisa muito complicada.
- Quero silêncio!
Valéria Nogueira Eik