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CRÔNICA

Felicidade

Adoro quando você me chama para deitar-me ao seu lado. Quando nossos olhares se cruzam, bem pertinho, fixo o meu no seu. Você tem olhos expressivos. Neste momento, vejo a alegria em você. E sinto a felicidade em mim. Aquela que completa em si, que vem e permanece infinita enquanto dura (obrigado poeta).

Gosto de te abraçar, fazer carinho em suas costas, em sua barriga. Entrelaçar minhas pernas nas tuas. Fazer de nós apenas um ser. Você me chama várias vezes, mas não diz nada. Não sabe o que dizer. Respondo um "oi" cúmplice. Não há o que responder.

É um momento característico de quem ama. Tanto a dizer e nada a falar. Bastam os olhares, os gestos, a expressão. O corpo fala. Há um clima leve. Em alguns momentos me sinto suspenso no ar. É como se a felicidade eliminasse a gravidade.

Gosto da tua risada. Faço tudo para te fazer rir. E você gosta de rir. Mas não muito. No auge, pede que eu pare. Toma fôlego e me desafia. Após um momento em que volto à terra para ter a certeza de que estou neste mundo, recomeço nosso ritual.

E assim se vão estes momentos de felicidade. Tenho que voltar à mediocridade do dia a dia. Não sem antes lançar um último olhar para você, que ainda não entendeu minha retirada. Me chama, mas não obtém resposta. Dou apenas um "tchau" rápido. Tenho medo de fraquejar. Vejo seus olhos tristes. Você faz bico. Desta vez não adianta. É a hora triste da separação.

Você ainda vai entender momentos como estes. São próprios dos adultos. Temos medo das coisas simples, infantis. Parece que não suportamos a felicidade.

Olho para trás e observo como você está crescendo. Não é mais aquele bebezinho. É bom me acostumar com a idéia. Daqui uns dias, não terei mais minha criança. Você será adolescente, depois adulta, depois, quem sabe, me dê um netinho para que eu possa reviver estes momentos maravilhosos.

Dirceu Herrero Gomes
é jornalista em Maringá

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