| AS MENINAS
As baianas do grupo "As Meninas" falam da surpresa
do sucesso, da mídia brasileira e do segredo dos baianos.
Todo mundo já ouviu e, até quem não gosta,
já sabe cantar o refrão pegajoso de "Chi
Bom Bom" que é a música mais tocada nas rádios
brasileiras. O grupo baiano "As Meninas" tem apenas
três anos e conquistou o sucesso popular numa rapidez
que nem as próprias garotas da banda acreditam.
Diferentes dos outros grupos da axé music onde são
valorizados as coreografias sensuais e roupas minúsculas,
"As Meninas" tem mulheres que são músicas
e esse foi um dos motivos que fez com que a banda conseguisse
destaque, enquanto a axé music de apelo sexual estava
sendo esquecida pela mídia. Isso também contribuiu
para o sucesso junto ao público infantil.
De uma enorme espontaneidade, a vocalista Carla Crsitina atendeu
a imprensa local, depois de chagar cansada devido ao atraso
de três horas do avião que trouxe a banda até
Maringá para a apresentação na 28- Expoingá.
Confirmando o ditado baiano de que "baiano não nasce,
estréia!", "As Meninas" deram uma animada
na entrevista ao maringa.com.
Maria Isabel - Foi bombástico, um sucesso rápido.
Do começo pra cá, qual foi o maior desafio até
agora?
Foi cantar na abertura do jogo Brasil e Equador, no estádio
do Morumbi. O palco distante do público é diferente,
você tem que tentar puxar o público pra você,
não é a mesma coisa que o público tá
ali à sua frente. Foi complicado, mas a gente conseguiu.
Andhye Iore - Na Bahia tem festa, Micareta, carnaval, trio
elétrico, show o tempo todo. Qual é o segredo
da vitalidade, do pique dos baianos? O que move os baianos?
Com certeza é muita água de coco, caruru, vatapá
e acarajé (risos). Em relação a nós,
a gente tem um acompanhamento e uma preparação,
sempre que a gente pode lá em Salvador tem uma professora
que dá aula de canto, ela ensina toda uma técnica,
um aquecimento e um desaquecimento pra depois que sai do palco.
Tem toda uma frescurinha. Agora, não queiram ver a cara
da gente fazendo aquecimento que vocês se assustam.
Maria Isabel - Vocês tinham alguma previsão, alguma
noção do que poderia acontecer?
Nada, nada. Na Bahia, as bandas todas se conhecem, as bandas
que estão em evidência, as que não estão
em evidência e as pessoas são muito ligadas uma
às outras. Ter amigos na música baiana, a amizade
na música baiana é muito intensa e a gente já
conhecia os artistas, como foi o caso de lançar o disco
e o Beto Jamaica fazer uma participação com a
gente, que foi uma homenagem que a gente fez pro carnaval, 50
anos de trio elétrico. A gente não tinha idéia
do que podia acontecer. Aconteceu e a gente não esperava
realmente. Tá todo mundo até hoje... quando eu
tô na rua e vejo a gritaria, gente chorando, eu paro e
choro também. Chega uma criancinha chorando e falando
"Eu te amo!" eu "Meu Deus, ela tá chorando
por mim!", eu não acredito naquilo.
Maria Isabel - O que é que a baiana tem?
Eu acho que é o axé que a gente trás. O
povo baiano é um povo muito carismático, muito
carinhoso, muito acolhedor. Acho que todo baiano trás
isso dentro de si. Todo brasileiro também. Acho que a
mágica do baiano é essa.
Andhye Iore - No começo desse ano, a axé music
saiu um pouco da mídia e vocês foram a única
banda que teve um destaque, enquanto outros grupos ficaram esquecidos.
Como vocês vêem esse ciclo da música brasileira,
que um estilo não consegue se manter muito tempo na mídia?
Eu acho que não foi só a música baiana
que fugiu da mídia, teve outros gêneros que sumiram
da mídia também. Na verdade, a tv monopoliza muito,
ela faz o que ela quer. E o público, como ele é
consumista daquilo que ele vê na tv, é meio complicado
a história. Mas em relação à vendagem
de cds, eu afirmo, baseada numa pesquisa que eu fiz com a minha
gravadora, que houve uma queda geral em todos os segmentos.
Imagine o que é para um assalariado o que é comprar
um cd de R$ 25,00? Não compra, é complicado. Essa
história de que a música baiana está acabando
é besteira, eu discordo completamente. Tem Fortal, Recifolia,
Carnatal, Carna Sampa, Carna Rio, etc. Vai acabar como? Não
acaba nunca.
Maria Isabel – E o trabalho no exterior?
A gente já recebeu convite pra ir pra Europa e pra Argentina.
Mas, a gente não foi porque não tem data. Pra
França, eles queriam antes de setembro e até setembro
a gente não tem um final de semana livre, já tá
tudo lotado.
Maria Isabel – Essa forma que tem a Bahia de encarar
as crianças, de dar capoeira, de dar música, tem
o Carlinhos Brown, o Pelourinho, as escolinhas. Isso facilita
que a pessoa tenha um outro tipo de linguagem, de expressão,
é uma outra escola para as crianças de lá?
Com certeza é. Quem tem o dom, quem quer aquilo, não
tem pra onde correr. E quem não conhece, quando vê,
fica encantado e passa a gostar. É um lado cultural muito
forte que a Bahia tem. No nosso caso, todo mundo da banda tem
muito tempo de música, ninguém começou
de uma hora pra outra. A Carla tem mais de dez anos, as outras
mais novas tem mais de quatro anos de música.
08/05/2000
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