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Maringá, 16 de maio de 2001

DESTAQUE

Capital Inicial faz o melhor show da Expoingá
Em entrevista ao maringa.com, banda fala dos altos
e baixos da carreira, do público e da cena de Brasília.

Formada em Brasília em 1982, o Capital Inicial é parte importante de um dos períodos mais criativos da história do rock brasileiro. Juntamente com a Legião Urbana e Plebe Rude, o Capital Inicial formou a tríade da primeira geração do rock brasiliense. A história é bem conhecida por todos e já foi contada e recontada inúmeras vezes, sempre trazendo referências ao ícone Renato Russo.

Os irmãos Fávio (baixo) e Fê Lemos (baterista) se uniram a Loro Jones (guitarrista da Biltz 64) e, em meio à efervescência punk que assolava a capital do Distrito Federal embalada pelos discos de grupos punks britânicos trazidos pelos filhos dos embaixadores, o trio começou a compor e tocar músicas trazidas por Flávio e Fê do Aborto Elétrico (onde também tocava Renato Russo). O vocalista Dinho só entrou para a banda um ano depois, após tocar com Dado e Bonfá (futuros Legião Urbana) na banda Dado e o Reino Animal.

Mesmo antes de lançar o primeiro disco, o Capital Inicial já tocava nos principais palcos do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1984, lançaram um compacto com "Descendo o Rio Nilo" e "Leve Desespero". Em seguida, participaram da trilha sonora do filme "Areias Escaldantes". O primeiro álbum veio em 1986. "Capital Inicial" é um clássico da história do rock brasileiro, com metade do dsico se tornando hit. Em 1987, sai "Independência" e a banda é convidada para abrir a turnê brasileira do cantor Sting (ex-Police). Os próximos discos foram "Você Não Precisa Entender" (1988), "Todos os Lados" (1989) e "Eletricidade" (1991).

Em 1993, Dinho sai da banda para iniciar uma fracassada carreira solo. O Capital Inicial continua com outro vocalista, também sem sucesso. Com Murilo Lima nos vocais, a banda lançou "Rua 47" (1994) e "Ao Vivo" (1996), de maneira independente. Tanto Dinho como o Capital Inicial sumiram da mídia até 1998, quando resolveram se reunir para fazer uma turnê comemorativa dos 15 anos da banda. Na seqüência, lançaram "Atrás dos Olhos". Com grande repercussão de video clips deste disco na MTV, a banda voltou ao estrelato. Com uma turnê levando multidão aos shows, que agora são repletos de adolescentes que nem haviam nascidos quando a banda começou a tocar, o Capital Inicial é novamente parte do primeiro escalão do rock nacional. Em 2000, a consagração definitiva. A banda lançou "Acústico – MTV" e, a curiosidade ficou por conta da gravação de "Primeiros Erros", de Kiko Zambianchi, outro artista de sucesso nos anos 80 e que passou a excursionar com o Capital Inicial.

O SHOW

A arena da Expoingá ficou pequena para o público que foi conferir o show do Capital Inicial. Absolutamente lotada com um público predominantemente adolescente, a arena foi palco do melhor show, até o momento, do evento com a maior empatia com o público e com o repertório mais coeso e com mais sucessos. Como sempre, Dinho abusou de seu carisma no palco cantando antigos sucessos reformulados. O público retribuiu cantando a maioria das músicas em coro, o que levou o vocalista a dar declarações emocionadas. No intervalo das músicas, Dinho fez discursos contra os políticos brasileiros, criticando ACM e Jader Barbalho, além de homenagear Renato Russo e Joey Ramone (vocalista dos Ramones que faleceu mês passado).

O Capital Inicial montou um set com seus maiores sucessos, além de covers escolhidas a dedo para animar o público. "Under The Bridge", do álbum "Blood Sex Sugar Magic" (1991), do Red Hot Chili Peppers, "I Wanna Be Sedated", do álbum "Road to Ruin" (1978), do Ramones, "Primeiros Erros", do Kiko Zambianchi, "Que País é Esse?", da Legião Urbana, onde Dinho cantou no meio do refrão um trecho de "I Don’t Care" do Ramones.

No final, Dinho saiu do palco para Kiko Zambianchi cantar duas músicas suas. Dinho voltou para encerrar o show com "Todas as Noites". Contradizendo a letra, esta noite não foi igual à nenhuma outra. Para quem era fã antigo da banda, uma agradável sensação de nostalgia. Para os mais novos, o clima de idolatria foi satisfeito com um show quase mágico.

Leia comentário do show por Ademir Kimura

SET LIST
Passageiro, O Mundo, Independência, Tudo Que Vai, 1999, Leve Desespero, Eu Vou Estar, Fogo, Cai a Noite, Kamikase, Fátima, Veraneio Vascaína, I Wanna Be Sedated, Primeiros Erros, Que País É Esse?, Under The Bridge, Rolam as Pedras, Tudo É Possível, Todas as Noites.

Texto e foto: Andhye Iore

ENTREVISTA
Dinho – Eu não acho que você deve pautar a sua carreira esperando gravadora. Se não rola, acho que você deve gravar independente, fazer show, não acho que você deve ficar sentado, esperando a Rede Globo... dane-se! (risos).

Leia entrevista com o Capital Inicial.

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