| Maringá, quinta, 06 de setembro de 2001
EXCLUSIVO
Luna faz show imperdível na região
Com nove anos de carreira, a banda americana Luna faz uma pausa
nas gravações do sétimo disco e realiza
turnê no Brasil; em entrevista exclusiva, Dean Wareham
fala sobre a banda
E N T R E V I S T A
Andhye Iore – Na seção
"O Que Dean está lendo e ouvindo" do site do
Luna, há várias referências a cinema. Assim
como nas canções do Luna. Por que a fascinação
com cinema em sua vida?
Dean
Wareham - O cinema está à nossa volta, impregnando
nossa vida e permanecendo em nossa consciência. Eu sei
que não sou o único interessado em cinema.
Você tem idéia de quanto o Galaxie 500 é
importante no mundo do rock?
Tenho certeza que influenciamos várias pessoas a montarem
bandas, o que pode ser algo bom ou ruim. Nós não
precisamos reinventar a guitar music, mas tivemos sorte em descobrir
nossa própria sonoridade de maneira especial.
Perguntei isso porque no Brasil, o G500 tem o mesmo status
(até mais) que o Luna...
É legal saber disso.
Bandas como Stereolab, Luna, Yo La Tengo e Belle & Sebastian
tem músicas no estilo bossa nova. Você conhece
algo sobre este gênero musical brasileiro?
Me parece que está voltando a ser popular novamente
nos Estados Unidos. Mas, provavelmente, é mais no Japão.
Talvez, muitas bandas estão tocando bossa nova sem ter
o que fazer. A minha bateria eletrônica tem uma opção
de bossa nova que usamos em "4000 Days". De qualquer
maneira, não sou um especialista, mas quem não
gosta de João Gilberto e Antônio Carlos Jobim?
Sou fã do álbum que o Sinatra fez com o Jobim.
(N. R.: "Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim",
disco com dez canções lançado em 1967,
pela Reprise.)
Você fica chateado quando as pessoas comparam o Luna
ao Velvet Underground ou isto te deixa orgulhoso?
Bom, não acho que isto seja correto, estou um pouco cheio
disto. Mas, ao mesmo tempo, o Velvet Underground é uma
das minhas bandas favoritas, é claro. Prefiro eles aos
Beatles.
O fato de vocês terem tocado com o VU em 1993 foi como
um sonho pra você?
Bem,
naturalmente, você fica nervoso estando próximo
às pessoas que você tem grande admiração.
Mas, eles foram legais conosco.
A turnê brasileira terá nove shows... geralmente,
as bandas internacionais não fazem tantos shows assim
por aqui. Quais são as suas expectativas?
Nós vamos tocar as canções que estamos
tocando em nossa turnê. Não tenho idéia
do que vou encontrar aí.
No álbum mais recente, "Luna Live", vocês
gravaram "4th of July" do G500. Os fãs brasileiros
terão a sorte de ouvir alguma música do G500 na
turnê brasileira?
Provavelmente, tocaremos esta música. Talvez, aprenderemos
outra. Mas, geralmente, nos limitamos ao catálogo do
Luna.
No Brasil, as gravadoras não contratam bandas que cantam
em inglês. Qual a sua opinião sobre isso, uma vez
que várias bandas de outros países fazem sucesso
cantando em inglês e não em sua língua original?
Algumas bandas européias estão cantando em inglês.
Mas, acho que é melhor cantar em sua própria língua...
e, o português soa bonito para mim.
O Luna vem tendo problemas com gravadoras. Por que isto acontece
uma vez que vocês gravam bons discos, tem um bom conceito
na mídia e muitos fãs em todo o mundo?
Acho que é parte do mundo da música, que está
mudando rapidamente nestes dias. Se você grava discos,
terá problemas contratuais da mesma maneira.
Luna tem um site com material sobre a banda. O quanto a internet
é importante para vocês?
Nós não fazemos muita coisa com a internet, mas
tentamos fornecer um pouco de informação sobre
o que estamos fazendo. Em breve, colocaremos alguns vídeos
também.
Vocês já trabalharam com pessoas conceituadas
e tem um círculo de amigos legais no mundo da música.
Você acha que a sonoridade do Luna atrai coisas positivas?
O
nosso relações públicas anterior, quando
estávamos na Elektra, dizia que a música do Luna
tem o poder de curar, mas não resolvemos seus problemas.
Sei que os melhores momentos da minha vida foram ouvindo música.
Felizmente, temos este efeito para as pessoas que gostam de
nós.
Desde o G500, você grava covers. Como você escolhe
as músicas que ganharão uma versão?
Na maior parte, escolhemos artistas que respeitamos. Com exceção
do Guns’n’Roses. Não há um sistema
exato para isso.
No álbum "Days of Our Nights" vocês
gravaram uma cover "não séria"
– "Sweet Child O’Mine". Por que você
escolheu esta canção?
Gostamos desta música e ela foi gravada originalmente
como lado B de um single. Ouvi boatos que o Guns’n’Roses
não a escreveu, que eles compraram a música de
uma pessoa.
Vocês estão no estúdio gravando o disco
novo e você tem um pequeno estúdio na sua casa.
Como você trabalha com a tecnologia?
Não sou um perito com as novas tecnologias e não
sei como fazer música no meu computador. Mas, trabalhamos
com pessoas que sabem essas coisas. Geralmente, fazemos discos
da maneira antiga: sentando e gravando em fita analógica
de 2 polegadas.
O novo disco será lançado no início de
2002. Você pode adiantar alguma coisa para nós?
Não acho que terá alguma cover neste disco. Embora,
talvez no Brasil, solicitaremos a inclusão de bônus
no cd. Não mudamos nosso som drasticamente, mas acho
que teremos um disco melhor desta vez.
Leia entrevista exclusiva com
a baixista Britta Phillips
Confira curiosidades sobre a
banda
Conheça a história do Luna
Entrevista: Andhye Iore
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