| Maringá, 11 de maio de 2001
ENTREVISTA
Maurício Manieri agita Maringá
Bem humorado, folclórico e humilde em relação
à imprensa, o cantor popular que regravou sucessos de
Cassiano e Tim Maia diz que só quer fazer música
pra bater no coração das pessoas
Personagem
folclórica na música popular brasileira, o paulistano
Maurício Manieri nasceu no dia 10 de setembro de 1970
e teve uma rígida educação, com aulas de
música erudita. Ainda na adolescência, montou uma
escola de música com o irmão, onde dava aulas
de piano e violão clássico.
Apaixonado por futebol e torcedor fanático do Palmeiras,
Manieri gesticula quando conversa, é extrovertido e fala
gíria sem parar. Tal comportamento aproxima mais o artista
do público o que é confirmado nos shows lotados
pelo país, onde canta baladas românticas "...
pros mano beijar as mina..." - segundo ele – e músicas
com influência de soul, funk e rhythm‘n’blues
"...pros mano agitar a galera...", diz soltando uma
risada e gesticulando como rapper.
Com uma carreira meteórica, com apenas dois álbuns,
emplacou nas rádios sucessos como "Minha Menina",
"Bota Pra Mexer", "Primavera" (de Cassiano)
e "Você" (de Tim Maia). Com boa vendagem de
seus discos e devido ao rosto de rapaz comportado, está
sempre se apresentando nos programas de auditório das
redes de televisão e é capa de várias revistas
femininas.
Pela primeira vez na cidade, Maurício Manieri se encantou
pela beleza de Maringá e disse estar orgulhoso de se
apresentar num evento como a Expoingá no dia do aniversário
da cidade. "Vamos ver se os mano e as mina de Maringá
vão agitar no meu show!", declarou empolgado ao
maringa.com.
Durante a entrevista realizada no hotel, o cantor fazia as
pessoas ao redor rirem de suas brincadeiras e comentários
espalhafatosos, sempre com sua marca registrada: a gíria.
Andhye Iore – Você teve formação
clássica. Em que momento da sua vida você passou
a ouvir música pop, rock e soul?
Maurício Manieri - Eu não consigo falar
que ouve um momento que aconteceu essa transição.
A música sempre esteve muito presente na minha vida.
Desde pequeno eu curtia música popular brasileira, depois
rock and roll, depois black. Eu sou apaixonado por música
desde pequeno e não sou fechado em relação
à música. Eu gosto de música erudita também,
ópera... evidentemente, que o rhythm and blues é
a minha paixão.
Além do sucesso de seus discos, você também
teve uma experiência gravando trilha sonora para cinema...
Foi muito legal! Ano passado trabalhei em três projetos
de cinema. No "Caminho Para El Dorado", da Dreamworks,
do Spielberg, com supervisão do Elton John no meu trabalho.
Gravei também uma canção com Ivan Lins,
que é um cara maravilhoso, para um filme da Disney, "O
Tigrão". Também fiz a música tema
do filme da Xuxa. Ano passado foi muito legal em relação
ao cinema.
O mercado musical brasileiro é muito manipulado pela mídia.
Você acha que sofre essa manipulação ou
já conquistou seu público e não têm
problema se não aparecer mais na mídia?
Eu acho que existe isso, de você precisar da mídia
pra fazer seu trabalho acontecer um pouco mais. Mas, eu nunca
pensei só nisso, penso na qualidade do meu trabalho em
si. Quando um artista faz um trabalho que ele acredita e confia,
é um passo muito grande pra ter continuidade desse trabalho.
O público não é besta, ele vai engolir
uma coisa meio mal por um curto espaço de tempo. Mas,
uma coisa que é verdadeira, que demonstra uma verdade,
acho que não... as pessoas vão pensar que é
legal, têm um valor. Acho que existe uma manipulação
sim, mas cabe ao artista não ser manipulado. Ele têm
que ter consciência do seu trabalho. Pra mim, não
interessa o sucesso pelo sucesso. Quero fazer as minhas canções,
um trabalho musical que bata no coração das pessoas.
Evidentemente, pras pessoas conhecerem o meu trabalho preciso
aparecer na televisão e tocar na rádio, senão
vou ter um trabalho mais restrito. A minha intenção
não é essa. Eu sou um cantor popular e quero que
as pessoas conheçam o meu trabalho.
O criador do Homem-Cueca disse que, para criar a personagem,
ia à fliperamas conversar com office boys pra pegar as
novas gírias. Você acha que esse seu jeito descontraído
facilita a aproximação com o público e
ajuda no sucesso?
Nunca pensei nisso. Uma das minhas virtudes como artista é
essa. Eu sou eu mesmo, não faço tipo. Não
esqueci das minhas raízes. Se eu não quiser falar
mais gíria, não falo e isso é problema
meu! Eu vou na vila onde a minha mãe mora e vou ficar
trocando idéia com a galera. Ela mora no mesmo lugar
onde nasci. Tenho os amigos de sempre e sou assim mesmo, nunca
pensei se isso ia fazer mais sucesso ou não. Muito pelo
contrário, porque muitas pessoas tinham até um
preconceito com os mano e as mina e eu não tô nem
aí. O que vale mesmo, pra ser sincero, é a música.
Se a música bater no coração da galera,
bicho, já era!
Fotos e texto: Andhye Iore
Voltar
|