| DUKE ELLINGTON: HOJE NA UNIVERSITÁRIA FM
Duke
Ellington, sem dúvida, é o maior compositor de
jazz da história. Escreveu aproximadamente 400 peças
musicais, todas incrivelmente bem sucedidas. Na autobiografia,
publicada em 1973, Ellington utilizou 30 páginas simplesmente
para citar os títulos de suas músicas.
Nascido em Washington, no dia 29 de abril de 1899, Ellington
começou seus estudos musicais aos sete anos de idade,
atraído pelo ragtime, espécie de música
sincopada, que deu origem ao jazz. Aos dezenove anos, Duke,
assim chamado por suas boas maneiras, já se exibia como
pianista em orquestras locais e arregimentar músicos
para formar seus primeiros grupos como o The Duke’s Serenades
e o Washingtonians, que, no período de 1924 a 1927, tocava
em uma série de clubes de Nova Iorque. Entre 1927 e 1931,
Duke Ellington realizou a famosa temporada no Cotton Club do
Harlem (inicialmente acompanhando a cantora Ada Smith) e gravou
diversas músicas, entre elas "East St. Louis Toodle-Oo",
"Black And Tam Fantasy", "Creole Love Call"
e "Sophisticated Lady", que seriam sucessos por toda
sua vida. Nesta época, já estavam ao seu lado
Harry Carney, Johnny Hodges, Jimmy Blanton, Ben Webster, Colleman
Hawkins, Paul Gonçalves, entre outros músicos
responsáveis pela consolidação do som orquestral
de Duke Ellington. Alguns desses músicos permaneceriam
fieis ao líder por mais de 40 anos.
Em 1933, Duke Ellington viajou, pela primeira vez, à
Europa, constatando que a sua música fazia muito sucesso
no velho continente, principalmente em Londres e Paris.
Entre 1934 e 1936, Duke Ellington volta a fazer mais uma temporada
fixa no Cotton Club, porém com inúmeros concertos
em outras cidades. Também obtém sucesso com mais
uma série de gravações como "Solitude"
e "I A Sentimental Mood". Em 1939, com a contratação
de Billy Strayhorn, refinado pianista e compositor, que se tornaria
o braço direito de Duke Ellington, a orquestra ganhou
nova força e mais uma série de sucessos: Ko-ko",
"C-Jam Blues", "I A Mellotone", "Perdido",
"Don’t Get Around Much Anymore", "Daydream",
"Chelsea Bridge", "Concerto For Cootie",
"Take The A Train", o prefixo da orquestra, entre
tantas outras.
A
partir de 1940 Duke Ellington passou a sofisticar os arranjos
de suas composições, compor peças elaboradas
de natureza mais próxima à música de concerto,
mas mantendo o extraordinário senso de swingue, peculiar
em sua música. Compôs inúmeras peças
de caráter religioso com fundamentos no blues e no gospel
como, por exemplo, a peça "My People", em homenagem
ao centenário da emancipação dos escravos.
Também passou a gravar em pequenas formações
com convidados ilustres, como Coleman Hawkins, Charles Mingus,
Max Roach e John Coltrane.
Em 1967, faleceu Billy Strayhorn e Duke preparou o álbum
"...And His Mother Called Him Bill’, em sua homenagem.
Em 1968, Duke Ellington viajou para a América Latina
passando pelo México, Argentina e Brasil, onde apresentou
parte da sua "Latin American Suite".
Em 1974, Duke Ellington faleceu, aos 75 anos, vítima
de um tumor pulmonar. Em seu funeral reuniram mais de 10.000
de admiradores. Incrivelmente, em pouco tempo falecia a maioria
de seus músicos. Mercer Ellington, o filho trompetista
e regente, se empenha em manter vivo o legado daquela que fora
a mais célebre orquestra do mundo do jazz.
A Universitária 106,9 FM, na edição do
programa Jazz & Blues de hoje, apresenta algumas das obras-primas
de Duke Ellington, a partir das 23 horas.
19/08/98
Colaborou: Paulo Petrini
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