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MAX ROACH A BATERIA DIVIDINDO A LINHA MELÓDIA DO COMEÇO AO FIM

Baterista por convicção, compositor de idéias brilhantes e um artista participante dos problemas do negros, Max Roach representa um momento culminante da evolução da escola dos percussionistas negros, que se iniciou com Baby Dodds e Gene Krupa nas décadas de 30 e 40.

Nascido no Brooklyn, em Nova York, a 10 de janeiro de 1925, aos 8 anos já demonstrava forte interesse pela música clássica e pelo jazz. Em 1944, entrou para o grupo do saxofonista Benny Carter, passando logo em seguida a tocar com Charlie Parker. A partir de 1949, Max começou a atuar como free-lance, tocando nos grupos de Miles Davis, Lee Konitz, J.J. Johnson e muitos outros.

No ano de 1943, fundou, junto com o baixista Charles Mingus, a gravadora Debut, a qual tinha o objetivo de oferecer aos músicos um espaço que lhes era negado pela indústria do disco. A partir desta época começou a gravar suas composições. Com a música "Conversation", um extenso solo de bateria, deu início a uma série de longos monólogos percussivos que evidenciavam seu grande virtuosismo. Esta música tornou o carro chefe de Roach e o centro de suas criações.

No dia 15 de maio de 1953, o baterista participou de um concerto no Canadá, juntamente com Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell e Charles Mingus, cuja gravação, realizada pela Debut, tornou-se histórica.

Na década de 50, dá-se o início a uma nova fase do jazz. Jovens talentosos, sem compromissos com a tradição, expressavam o clima das grandes cidades, entre eles o trompetista Clifford Brown, com quem formou a parceria Roach-Brown e que se tornou a mais célebre da história ao lado da Parker-Gillespie. Em 1955, entrou para o grupo de Sonny Rollins que já se despontava com destaque entre os saxofonistas da época. O profundo entrosamento entre Sonny Rollins e Roach consolidou mais uma parceria de importância histórica no mundo do jazz. Três músicos do grupo de Max Roach perderam a vida em um acidente de automóvel, entre eles o trompetista Cliford Brown, causando um profundo golpe na vida do baterista.

Em 1957, Max Roach inicia suas experiência no sentido de alargar sua expressão musical, tocando nos mais diferentes tipos de compassos, até então, não utilizados no jazz e cujas idéias rítmicas praticamente estabelecem a base do free-jazz.

Obstinado pela libertação do povo negro, em 1960, Max deu início a uma parceria com o cantor e letrista Oscar Brown, dedicando-se à criação de uma grande obra coral de cunho político para celebração do centenário da abolição da escravatura nos Estados Unidos em 1963. Ainda no ano de 60, por conta da grande manifestação negra de protesto em Greensboro, na Carolina do Norte, Roach antecipou a gravação da sua obra "We Insist! Freedom Now Suite", com a participação de sua esposa a cantora Abbey Lincoln. Um fato importante acaba por dificultar os projetos de Max Roach: os músicos que aderiam as suas idéias acabavam ficando sem trabalho. O baterista, constrangido perante seus colegas, deixou de lado muitos projetos que caminhavam neste sentido. Em 1969, cria mais uma obra coral de grande fôlego: a peça intitulada "Lift Every Voice And Sing", para 2 vozes e sexteto de jazz. Baseado em spirituals e gospel songs com poema de James Weldon, é dedicada a grandes homens, como Martin Luther King, Medgar Evers, Malcom X., Patrice Lumumba e Paul Roberson. Em 1972, Max Roach foi nomeado professor de música da Universidade de Amherst no Massachusetts.

Em 1977, Max associou-se ao saxofonista Anthony Braxton, o músico mais representativo da vanguarda dos anos 70, com a proposta de ligar a tradição e o presente da música negra. Em 1980, começa compor para instrumentos de percussão, utilizando elementos do Oriente, da África e das Américas.

08/07/98

Colaborou: Paulo Petrini

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