| A DIVINA SARAH VAUGHAN
Sarah
Lois Vaughan, também conhecida como "Sassy"
e "A Divina", foi uma das três grandes cantoras
do jazz, ao lado de Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Nasceu
em 27 de março de 1924, em Newark, cidade do Estado de
Nova Jersey, ao norte dos Estados Unidos, dominada por sérios
conflitos raciais. Seu pai foi guitarrista amador, mas foi sua
mãe, que cantava na Igreja Batista, quem lhe ensinou
as primeiras canções. Sarah, quando ainda criança,
entrou para o coro da igreja e os dotes musicais revelados pela
menina abriu novas expectativas na família, que viu para
a menina um futuro melhor, longe da miséria e das humilhações
do gueto negro onde moravam. Sarah, que iniciou estudos de piano
com uma professora particular, sempre viveu num ambiente solidário
e tranqüilo e isso contribuiu positivamente para a sua
formação humana e profissional.
Sarah Vaughan se dedicava com paixão, entusiasmo e,
sobretudo, com disciplina ao trabalho, o que a ajudou muito
em sua vida profissional. Em 1945, ingressou definitivamente
no mundo da música, após ter participado de uma
noite de calouros no Apollo Theatre do Harlem, uma das maiores
instituições do show business norte-americano
e onde a cantora Ella Fitzgerald esteve como convidada de honra.
Sarah Vaughan foi contratada pela casa para uma temporada semanal
e durante suas apresentações foi ouvida e contratada
pelo cantor Billy Eckstine, para integrar como cantora e segunda
pianista da orquestra de Earl Hines, músico de grande
importância na história do jazz, principalmente
no que diz respeito à carreira de Louis Armstrong, Dizzy
Gillespie e Charlie Parker. Hines adaptou o estilo bebop (inicialmente
elaborado para pequenos conjuntos), para a grande orquestra,
sendo o primeiro a fazer esta adaptação no jazz.
Ao lado destes músicos, Sarah Vaughan ampliou suas potencialidade
e apurou seu estilo romântico e ao mesmo tempo moderno,
contribuindo para a satisfação de um público
bastante amplo e ligando seu nome a uma das mais audaciosas
iniciativas jazzísticas dos anos 40. Ainda com esta orquestra,
gravou seu primeiro disco, "I’ll Wait And Pray",
em Nova Yorque, no dia 5 de dezembro de 1944.
Depois de deixar o grupo de Hines e Eckstine, Sarah Vaughan
empreendeu o caminho de cantora independente. Por iniciativa
do crítico Leonard Feather, no ano de 1945, ela gravou
algumas sessões que marcaram época na história
do jazz. Fazendo parte do grupo de Dizzy Gilliespie, Charlie
Parker e Max Roach, que também tinham deixado a orquestra
de Billy Eckstine, Sarah participou das melhores experiências,
no que diz respeito à utilização da voz
no estilo bebop.
No início da década de 50, Sarah Vaughan gravou
abundantemente para os selos Columbia, Mercury e Pablo, do grande
produtor Norman Granz, muitas delas com a orquestra de Count
Basie, outra instituição no mundo do jazz, alcançando
sucesso internacional com peças de jazz de ótima
qualidade. Nos anos 60, ela já era considerada uma das
maiores estrelas do gênero, apresentando-se em festivais
do mundo inteiro, até o final de sua carreira, que se
deu com o seu falecimento no dia 3 de abril de 1990, na cidade
de Hidden Hills, na Califórnia.
Sarah Vaughan, também gravou uma série de músicas
brasileiras, entre as quais destacam-se "O Som Brasileiro
de Sarah Vaughan" e "Brasilian Romance" com a
participação de Dorival Caymmi, Dori Caymmi, Hélio
Delmiro, Sérgio Mendes, Eumir Deodato, Milton Nascimento,
Tom Jobim, entre outros. Também esteve no Brasil por
várias vezes, onde cantou no Free Jazz Festival, em São
Paulo.
12/08/98
Colaborou: Paulo Petrini
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