| SHOW
Banda americana se apresenta em Maringá
Yo La Tengo faz turnê sul-americana divulgando um dos
melhores discos de 2000 e dá entrevista exclusiva ao
maringa.com às vésperas de embarcar para o Brasil
A
vinda da banda americana Yo La Tengo ao Brasil é um daqueles
eventos imperdíveis pela singulariedade da situação.
Apesar do nome em espanhol, a banda foi formada em Hoboken (município
de Nova York) em 1984, tem dez discos lançados e é
aclamada como uma das melhores bandas pop dos anos 90. E eles
entraram na nova década com o pé direito, pois
o último disco - "And Then Nothing Turned Itself
Inside-Out" - faz parte de várias listas de melhores
discos do ano passado.
Diversidade é a melhor expressão para definir
a sonoridade do YLT. Desde um clima intimista - meio etéreo,
até - ("Don't Say a Word"), passando por bossa
nova ("You Can Have it All"), jazz ("Attack on
Love"), experimentações anti-musicais ("Danelectro"),
pop da melhor qualidade ("Tom Courtenay"), retrô
("Let's Save Tony Orlando's House") até "guitarreiras"
ao melhor estilo Sonic Youth ("Cherry Chapstick").
Porém, o que é mais evidente nas composições
é a latente influência folk. Desde dedilhados,
bases, melodias vocais e letras, tudo remete à tradicional
música americana. Melhor ainda é a sombra do Velvet
Undergorund que persegue o Yo La Tengo, fazendo com que quase
todas as matérias sobre a banda tragam essa citação.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que não se sentem à
vontade com a honra de serem comparados à melhor banda
de todos os tempos, já gravaram dois covers do VU: "I'm
Set Free" e "It's Alright (The Way That You Live)".
Além de terem participado da trilha sonora de "Um
Tiro Para Andy Wharol", filme que registrou personagens
geniais que frequentavam a Factory. Para explicitar ainda mais
o fantasma VU sobre o YLT, pode-se dizer que o estilo de cantar
e tocar de Ira Kaplan é semelhante ao do mestre Lou Reed.
Tanta referência eclética e criativa fez com que,
depois de cinco álbuns por gravadoras minúsculas
e sete anos de estrada, o YLT fosse contratado pela Matador
Records em 1993. Nada mais que a gravadora independente mais
organizada do planeta - mais até que muitas majors -
e que tem em seu cast Pavement, Guided By Voices, Jon Spencer
Blues Explosion e os direitos para distribuir Belle & Sebastian
nos EUA. A partir do contrato com a Matador, os discos da banda
passaram a ser cada vez mais sólidos, maduros e de fazer
a crítica reverenciar o casal (casados de verdade!) Ira
Kaplan (guitarra e vocal) e Georgia Hubley (bateria e vocal).
Como é comum em muitas bandas, o YLT também passou
por problemas em sua formação. Desde o anúncio
nos classificados da revista Village Voice para formarem a banda
(isso depois de serem literalmente chutados da banda de um tal
Jon Klage), até 1992 quando o multi-instrumentista James
McNew consolidou a banda como um trio, vários músicos
já passaram e foram embora. Aliás, McNew tem boas
referências cinematográficas, o que contribuiu
na produção dos bons video clips do Yo La Tengo.
A turnê sul-americana acontece depois de um descanso
da turnê americana quando, nos dias 23 a 25 de agosto
de 2000, eles tocaram em Nova York com um de seus ídolos:
Ray Davies (do Kinks). A turnê começa dia 9 de
fevereiro no Rio de Janeiro, com um show organizado pelo Midsummer
Madness, vem para Maringá no dia 10, segue para São
Paulo nos dias 14 e 15, em Santiago (no Chile) no dia 16, em
Montevidéo (no Uruguai) dia 17 e termina em Buenos Aires
(na Argentina) no dia 18. Para promover a turnê, a gravadora
Trama lançou no Brasil um pacote com os cds do YLT. Este
é só um dos exemplos de como a "yolatengomania"
está se expandindo: "Além do Brasil, a Yo
La Tengo já tem discos lançados na Europa, Taiwan,
Japão e Austrália." segundo Nicole Harper,
assessora de comunicação da Matador.
O maringa.com entrevistou o guitarrista e vocalista Ira Kaplan
às vésperas da banda embarcar para o Brasil. Confira:
Andhye Iore - Você tem idéia de que o Yo
La Tengo tem muitos fãs no Brasil?
Ira Kaplan - Nós sabemos que temos alguns fãs
no Brasil. Eu acho que descobriremos quantos. Nós temos
recebido cartas de brasileiros e nos pediram para ir ao Brasil
na última vez que estivemos em Portugal.
Vocês estão preparando algo especial para os shows
no Brasil?
Nós estamos ensaiando algumas de nossas músicas
antigas que não tocamos há algum tempo. Isto não
quer dizer que vamos tocá-las necessariamente, é
claro. Acho que será muito especial estar no Brasil,
que os shows também serão especiais.
O último disco, "And Then Nothing Turned Itself
Inside-Out", foi aclamado como um dos melhores de 2000.
Isto mudou alguma coisa no Yo La Tengo?
Nem mais ou menos que antes. Temos sentido um pouco mais de
sucesso agora, talvez desde que passamos a viver de música.
É legal quando as pessoas escrevem coisas legais sobre
a banda, mas tentamos não prestar muita atenção,
realmente.
Como é trabalhar na Matador, já que sabemos como
uma gravadora não respeita o trabalho das bandas e a
imagem da Matador é que é uma das mais organizadas
do mundo?
A Matador é uma das mais organizadas, sério? Mas,
deixando as piadas de lado, Matador definitivamente respeita
as bandas em seu selo e isso faz com que trabalhar com eles
seja gratificante. Eles nunca dizem para nós como gravar
um disco ou o que fazer quando estamos gravando e nós
apreciamos isso. Nós pedimos a opinião deles às
vezes e eles nos dizem o que pensam. Você usou a palavra
respeito e eu acho uma descrição perfeita: eles
nos respeitam e nós os respeitamos.
Vários jornalistas escrevem que vocês são
o Velvet Underground contemporâneo. Você fica chateado
com essa comparação?
É um pouco chato sim, mas eu prefiro ser considerado
o Velvet Underground contemporâneo que o Styx contemporâneo.
Vocês gravaram dez álbuns, vários EPs,
fizeram trilhas sonoras e gravam com outras bandas. Qual é
a motivação da banda, vocês nunca se satisfazem
musicalmente?
Nós amamos tocar e é interessante, comum e excitante
mudar a situação para ver o que acontece. Quando
fazemos músicas para as trilhas sonoras, estamos fazendo
música para o cineasta, em vez de para nós mesmos.
Quando trabalhamos com outros músicos, isto sempre muda
a maneira como você responde à música. E,
exatamente se você não conduzir isto especificamente,
é o que eu quis dizer sobre os shows no Brasil serem
especiais. As circunstâncias serão especiais o
que afetará os shows.
DISCOGRAFIA:
Ride The Tiger (1986 - Coyote), New Wave Hot Dogs (1987 - Coyote),
President Yo La Tengo (1989 - Twin Tone), Fakebook (1990 - Bar/None)
, May I Sing With Me (1992 - Alias), Painful (1993 - Matador),
Electr-o-Pura (1995 - Matador), I Can Hear The Heart Beating
as One (1997 - Matador), Genius + Love = Yo La Tengo (1998 -
Matador), And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (2000 -
Matador)
SERVIÇO:
Show com a banda americana
Yo La Tengo
Data: 10 de fevereiro, sábado, às 23h30
Local: Aqualung
Endereço: Rua Fernão Dias, em frente ao Atacadão
Ingresso antecipado: R$ 15,00
Discotecagem: Andhye Iore
Abertura: Foolish
Informações: 225-3782
MÚSICA:
Ouça Yo La Tengo e confira porque você não
pode perder esse show histórico em Maringá:
Let’s Save Tony Orlando’s House
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03/02/2001
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