| ZEZÉ DI CAMARGO E LUCIANO
"Se você sair na rua e ninguém te abordar,
é sinal que você tá sendo, desculpa o palavrão,
um merda!"
Zezé di Camargo fala sobre o sucesso, que não
liga para a falta de privacidade e que não se atreve
a se tornar ator.
Naturais de Pirinópolis, no interior de Goiás,
os irmãos Zezé di Camargo e Luciano lançaram
o primeiro disco em 1991 e, logo, se tornaram sucesso na mídia
brasileira graças à música "É
o Amor". Enquanto outras duplas já faziam sucesso
na época explorando o filão sertanejo, depois
de passar anos na estrada, Zezé di Camargo e Luciano
chegaram nas paradas e rádios com uma sonoridade mais
melódica e romântica, atingindo o público
feminino.
Foi fácil manter o sucesso com a mesma fórmula.
Disco após disco e sucesso após sucesso que renderam
vários discos de diamante, conseguidos com a vendagem
de mais de um milhão de cópias de cada lançamento.
Somando os nove álbuns lançados, são mais
de 16 milhões de cópias vendidas, além
de um disco gravado em espanhol, em 1994, sob o título
de Camargo e Luciano, lançado na Argentina, Chile, Venezuela,
México e Espanha.
A nova turnê chamada "Zezé di Camargo e Luciano
2000" é um espetáculo de divulgação
de um disco duplo ao vivo com os maiores sucessos da dupla,
duas inéditas "Mexe que é Bom" e "Da
Boca Pra Fora", além da música religiosa
"Quem é Ele?". O disco ao vivo foi gravado
em dois shows no Olympia, em São Paulo, em janeiro e
lançado no início de março já com
disco de diamante, com quase dois milhões de cópias
vendidas.
A dupla abriu a 28- Expoingá ontem com esse show que
conta, ainda, com oito músicos, dez bailarinos e uma
equipe com mais de 60 pessoas ao lado de uma iluminação
computadorizada da Dinamarca, chamada Martin, e que é
a mesma utilizada nas apresentações de Madonna
e Michael Jackson. Só a parte técnica e manutenção
da equipe tem um custo de mais de30 mil reais.
Andhye Iore
O maringa.com enfrentou a desorganização no hotel
e o despreparo e falta de educação dos "profissionais"
da imprensa local para participar da entrevista coletiva, que
acabou se transformando em entrevistas particulares.
Maria Isabel – Vocês já pensaram numa carreira
no cinema, devido à popularidade da dupla?
Nós já tivemos proposta da fazer alguma coisa,
falando da nossa vida. Eu não quero me atrever nunca
a atuar, eu acho que não tem nada a ver. Quem joga nas
onze posições é mais ou menos em todas
elas, nunca é bom em nenhuma. Se fosse pra falar do Zezé
di Camargo e Luciano seria atraente, mas simplesmente por sermos
cantores e aproveitar o nosso prestígio para sermos atores,
acho que não. Quem é ator é ator, quem
é cantor é cantor.
Andhye Iore – Vocês vieram do interior, começaram
a fazer sucesso, passaram por uma quase tragédia na família,
tem a cogitação de viverem fora do país
e tem a carreira no exterior. Isso mexe com a cabeça
de vocês, vocês se pegam questionando até
que ponto vale a pena?
Valer a pena vale, sempre vale a pena. O sucesso vale muito
a pena, vale qualquer sacrifício. No nosso caso, por
sermos pessoas públicas que tem uma imagem distorcida,
que somos milionários, que ganhamos dinheiro fácil,
provoca muita inveja por parte de algumas pessoas. Como foi
o caso que acharam que tinham que tirar uma pessoa da nossa
família para extorquir dinheiro da gente. Eu acho que
apesar disso tudo, vale a pena. Se você me dissesse "Pô,
Zezé, se você pudesse prever que ia passar por
seqüestro na família, com 3 meses de tormento..."
, claro que eu ia lhe dizer que não. A vida nos leva
a isso. Você tem que estar preparado pra tudo isso, pras
nuances que a vida oferece. São lições
de vida que você aprende, que Deus coloca no seu caminho.
Eu acredito muito no destino. O grande problema dos seres humanos
é achar que a solução dos seus problemas
está nas outras pessoas. Não, a solução
da sua vida está em você mesmo. Você tem
que ser vencedor em qualquer área.
Andhye Iore - Sobre o sucesso o que te deixa, particularmente,
chateado ou aborrecido? O fato de você não poder
sair nas ruas. Que você pensa que não poderia acontecer?
Tudo que acontece na vida da gente tem o lado bom e o ruim.
Se eu não posso ir no supermercado, quem garante que
eu quero ir no supermercado? É uma coisa que satisfaz
por um lado, a glória do sucesso é infinitamente
maior que as coisas ruins. Essa coisa de não ter privacidade,
acho que a privacidade é resultado do sucesso. Se você
sair na rua e ninguém te abordar, ninguém te pedir
autógrafo é sinal que você tá sendo,
desculpa o palavrão, um merda. Ninguém sabe quem
é você. Se existe esse tumulto, isso me satisfaz,
é sinal que meu trabalho tá dando certo. Eu não
me incomodo nem um pouquinho com isso, acho que o sucesso só
traz coisas boas, desde que as pessoas saibam usar o dinheiro
e não ser escravo do dinheiro.
Maria Isabel – Sobre a experiência de estar no
palco, você pode descrever qual é a sensação
física que você tem?
Olha, é um momento muito especial. Eu costumo dizer que
o momento que você está no palco, você está
em transe. Dá muita adrenalina, é uma emoção
que se renova em todos os shows. É uma relação
muito especial. Acho que é o grande ápice de um
artista, é o momento que ele tá no palco. Na verdade,
é uma somatória. Aí, você começa
a cantar e você começa a pensar "É
por isso que eu gravei o disco, por isso que eu fiz música,
por isso que eu fiquei no estúdio muitas horas".
É o ápice.
05/05/2000
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