História de Maringá

John dos Passos, viajante inglês
ao descrever a cidade, em 1954.
Fonte: "O Brasil Desperta",
trad. Pinheiro de Lemos, Record, RJ, 1964
Seu Nascimento
Maringá, fundada pela Companhia Melhoramentos
Norte do Paraná, foi traçada obedecendo a um plano
urbanístico previamente estabelecido. Praças,
ruas e avenidas foram demarcadas considerando, ao máximo,
as características topográficas da área
escolhida, revelando preocupação lúcida
no que se refere à proteção de áreas
verdes e vegetação nativa.
Com esta filosofia, caracteristicamente contemporânea,
nasceu Maringá, a 10 de maio de 1947, como Distrito de
Mandaguari. Em 1951 foi elevada a Município, com os distritos
de Iguatemi, Floriano e Ivatuba. Em 1954 foi instalada a Comarca
de Maringá. Hoje é a sede de uma grande região
que abrange cem municípios.
Urbanização de Maringá
Maringá nasceu na prancheta de desenhos do Arquiteto
e Urbanista Jorge de Macedo Vieira, paulista, responsável
por projetos como o Jardim América, de São Paulo
e Águas de São Pedro, na região de Piracicaba.
Contratado pela Cia. Melhoramentos Norte do Paraná, Jorge
de Macedo Vieira jamais esteve aqui e, no entanto, criou um
projeto considerando na época, 1945, como um dos mais
arrojados e modernos, seguindo apenas a orientação
da Cia que exigia largas avenidas, muitas praças e espaços
para árvores. A grande preocupação da Cia.
Melhoramentos, ao encomendar a confecção do projeto
urbanístico a um engenheiro tão ilustre, era a
de conjugar o plano urbano à topografia da região.
Essa preocupação fica latente quando caminhando
por Maringá, podemos observar suas ruas retas e largas
e amplas avenidas com ajardinamento central, onde a especulação
imobiliária, de início, não teve vez.
Planejada para ser uma cidade de 200 mil habitantes (hoje já
com número muito maior), numa atividade considerada na
época como "Visionária", Maringá
transformou-se num grande centro de convergência econômica
e esse sucesso deve-se em grande parte ao traçado urbanístico
original que previa zona industrial, zona comercial e zona residenciais.
Jorge de Macedo Vieira e sua equipe realmente planejaram uma
cidade nos moldes de uma cidade ultra moderna, distribuída
da seguinte forma:
- uma avenida principal, a Av. Brasil, que atravessaria a cidade
de ponta a ponta;
- quarteirões rigorosamente planificados, subdivididos
em datas (terrenos menores), que formariam as diversas zonas,
cada qual destinada a uma finalidade: zonas residenciais destinadas
à classe média, zonas residenciais populares,
zona industrial, Centro Cívico, aeroporto, estádio
municipal, núcleos sociais, etc.;
- o comércio ficaria concentrado na zona 1, onde ainda
se localizariam os edifícios públicos do Centro
Cívico: Prefeitura Municipal, Fórum, Biblioteca
Municipal e Agências dos Correios e Telégrafos.
No Centro Cívico também seria construído
um hotel – atual Bandeirantes Hotel e a futura Catedral,
hoje Catedral de Nossa Senhora da Glória, cuja arquitetura,
em estilo arrojado e futurista, tornou-se o símbolo de
nossa cidade, sendo considerado o décimo monumento, em
altura, mais alto do mundo e o 1° da América Latina.
- A zona 1 ainda concentraria, fora da área denominada
"Centro Cívico", estabelecimentos bancários,
centrais de telefonia, mercado público, estações
rodoviária e ferroviária. As zonas 2 e 5 foram
consideradas como áreas de categorias residencial; a
zona 4 seria destinada a residências, ao lado da Vila
Operária e na zona 3 ficariam faixas destinadas à
fixação do parque industrial.
Nenhuma casa poderia ser construída fora do planejamento
geral e zonas residenciais Ter-se-ia que deixar um espaço
na frente, para jardins e muros. Não se permitia também
a construção de prédios em desobediência
ao plano determinado, notadamente com relação
a altura.
Preocupada com a questão ambiental que a derrubada da
mata fatalmente abalaria, a Cia solicitou ao arquiteto Jorge
de Macedo Vieira que fizesse constar no desenho original de
Maringá, três áreas ecológicas e
que hoje formam um verdadeiro "pulmão verde".
São elas:
- Horto Florestal "Dr. Luiz Teixeira Nendes", área
de propriedade da Cia Melhoramentos, com 17,5 alqueires, imaginada
como ponto de reserva e destinada também à criação
de mudas para recomposição da arborização
urbana;
- Parque do Ingá, com 19,5 alqueires, de início
uma preservada naturalmente, mas que foi urbanizada em 1970,
tornando-se um dos mais conhecidos pontos turísticos
da cidade. No Parque do Ingá podemos encontrar um jardim
zoológico, jardim japonês, numa homenagem ao imigrante
em maior número na cidade e represa, na qual os visitantes
podem passear de pedalinho;
- Bosque Tupinambá ou "Bosque Dois", como
é mais conhecido, com cerca de 25 alqueires. Constitui-se
numa reserva natural da mata original.
Essas três áreas ecológicas estão
localizadas no perímetro urbano.
Maringá, possui uma das maiores concentrações
de área verde – 26,65 metros quadrados –
por habitante. São 90 alqueires de matas nativas, distribuídos
por 17 bosques e milhões de árvores de diversas
espécies plantadas ao longo das ruas e avenidas.
- Acácias, Quaresmeiras, Paineiras, Ipê Roxo,
Ipê Amarelo, Pata - de –Vaca, Flamboyant, Jacarandá-mimoso,
Tamareira do Oriente, Acácia Imperial, Palmeira Imperial
e outras.
Sobre a tão decantada arborização de Maringá,
iniciada em 1949, não podemos deixar de lembrar três
nomes, considerados os verdadeiros criadores do projeto paisagístico:
- o primeiro, Dr. Luiz Teixeira Mendes, chegou aqui em 1949,
contratado pela CMNP e que tinha exercido a função
de Chefe do Serviço Florestal de São Paulo, foi
o idealizador da paisagem urbana da cidade. Profundo conhecedor
de Botânica e um grande técnico em Sivicultura,
o Dr. Luiz Teixeira Mendes, preocupou-se primeiro em formar
canteiros, dentro do Horto Florestal, para acomodar as diversas
mudas que vinham principalmente de São Paulo, encomendadas
pela Cia Melhoramentos para serem plantadas em nossa cidade.
Foi auxiliado nessa tarefa, a partir de 1952, e depois substituído
na função de "jardineiro" da cidade,
pelo Eng° Agrônomo Aníbal Bianchini da Rocha,
que procurou seguir o plano paisagístico em consonância
com o traçado original: para cada rua, avenida ou praça
era escolhida uma espécie de árvore, de tal maneira
que Maringá é uma das poucas cidades do país
a terem árvores floridas durante todo o ano.
Um terceiro nome a ser lembrado quando se fala da paisagem
urbana da cidade, é Geraldo Pinheiro Fonseca, Funcionário
da Cia Melhoramentos e que era encarregado do plantio de árvores,
tendo sido ele a plantar a primeira árvore do perímetro
urbano, na esquina das Av. Duque de Caxias com a rua Joubert
de Carvalho, em frente aos escritórios da CMNP.
A Origem do Nome
A cidade de Maringá teve seu nome extraído de
uma canção muito famosa na época, intitulada
Maringá, de autoria do Compositor Joubert de Carvalho,
daí advindo o nome da "Cidade Canção".
Entre as datas que marcaram a história de Maringá
estão a da instalação da telefonia automática,
em 1953 e a da chegada do primeiro trem no ano seguinte. Maringá,
terceira cidade do Estado de Paraná, está localizada
no Norte do Paraná, é cortada pelo trópico
de capricórnio e possui altitude de 554,9 metros.
Por estar localizada entre os rios Pirapó e Ivaí,
que fazem parte da Bacia Hidrográfica do rio Paraná,
Maringá possui um solo de grande fertilidade, denominado
Latossolo Roxo Distrófico. O Clima é subtropical
com chuvas de verão e inverno seco.
Além das características climáticas e
de localização, a cidade se favorece também
das rodovias BR 376 (Maringá - Curitiba), BR 369 (Maringá
- São Paulo), BR 317 (Maringá – Foz do Iguaçu)
e BR 323 (Maringá – Guaíra), que possibilitam
o deslocamento às cidades da região e a outros
Estados. Os transportes aéreos e ferroviários
também compõem essa estrutura.
Maringá faz parte das cidades turísticas do Brasil,
pela beleza natural, com seus bosques centralizados e também
pela belíssima Catedral de Nossa Srª da Glória,
em forma de cone, com 124 metros de altura e suas fontes no
mesmo formato. É o décimo monumento mais alto
do mundo.
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