| A História do Chocolate
Na
corte de Montezuma, o último imperador asteca do México,
foi servida ao conquistador espanhol Herman Cortés, numa
cabaça dourada, uma bebida exótica denominada
xocolatl, feita à base de grãos de cacau, uma
planta então desconhecida na Europa.
Antes do cacau chegar às mãos dos astecas, contava
já com uma história bastante longa. Os investigadores
crêem que a planta terá origem na bacia do Amazonas,
onde as primeiras árvores cresciam selvagens há
4.000 anos atrás. Foram os Maias, da Península
do Yucatan, no México, quem primeiro as plantou em cultura,
no século VII.
Thomas Gage, um inglês estudioso do chocolate afirmou
que o nome do produto deriva da onomatopeia choco-choco, que
imita o crepitar do chocolate ao entrar em contacto com a água
e de atle, o nome do moinho.
O naturalista Lineu, ao classificar os seres vivos existentes
no planeta, decidiu atribuir à planta que dá o
cacau, o cacaueiro, o nome latino de Theobroma cacao. Ora, Theobroma
significa “manjar dos deuses”, revelando até
que ponto o cientista sueco era apreciador da bebida feita a
partir dessa planta proveniente do Novo Mundo.
Como qualquer grande realização humana, o chocolate
não foi invenção de uma pessoa, mas de
gerações e gerações de pesquisadores
que "se enxergaram mais longe, foi porque subiram nos ombros
de gigantes que os antecederam". Na astronomia, tivemos
Ptolomeu, Copérnico, Tycho Brahe, Kepler, Galileu e Newton.
Na música, Monteverdi, Bach, Haydn, Mozart, Beethoven
e Wagner.
Em 1850, Henri Nestlé inventou o leite condensado e
resolveu o problema de como misturar o cacau com leite sem destruir
a textura do confeito. Um pouco depois, Philipp Suchard criou
a primeira barra de chocolate ao leite. A famosa Milka. Quase
simultâneamente, Rodolphe Lindt construiu uma máquina
capaz de arear o chocolate, tornando-o mais maleável
e destacando seu sabor. Além disso, o chocolate de Lindt
derretia na boca! O duque de Praslin descobriu o pralinê.
Evocando os alpes suiços, Jean Tobler fez um chocolate
triangular chamado Toblerone. A Itália inventou a Gianduja
e a Nutella. Na Bélgica, Jean Neuhaus criou a "casca"
de chocolate. Resistente o bastante para comportar líquidos
e cremes no seu interior, ela deu origem aos bombons recheados.
Na idade média, a Igreja teve que se preocupar em determinar
se a energizante bebida vinda das américas poderia ser
tomada durante os períodos de jejum. A conclusão:
"liquidum non fragit jejunum" (liquidos não
quebram o jejum).
Quando os Jesuítas chegaram na América, eles
observaram que os Aztecas usavam o cacau como moeda. Ficaram
fascinados com a idéia, pois era um dinheiro peressível.
Tinha que ser gasto rapidamente e era contrário à
avareza.No decurso do século XIX o chocolate foi visto,
para além de um alimento, como um remédio, muito
se escrevendo sobre as suas virtudes medicinais. Eram vendidos
chocolates com gosto desagradável devido às plantas
que lhe eram adicionadas com fins terapêuticos.
Os apreciadores de chocolate
Cada inglês come em média nove quilos de chocolate
por ano, uma gula só aproximada pelos alemães
e americanos, com um consumo de sete e seis quilos anuais, respectivamente.
O chocolate também agrada bastante aos canadianos, com
cada um deles a comer anualmente qualquer coisa como quatro
quilos desse manjar dos deuses. Os franceses, que foram dos
primeiros na Europa a conhecer o fabuloso sabor do cacau, são
hoje consumidores relativamente modestos, com um consumo médio
de três quilos, enquanto os italianos se ficam pelos dois
quilos. A oriente, os japoneses são os que mais apreciam
chocolate, mas mesmo assim contentam-se também com dois
quilos por ano. Os portugueses, esses, a acreditar os números
da OCDE e do INE citados pelo Expresso, comem em média
apenas meio quilo de chocolate por ano, mostrando que ou são
pouco gulosos ou ainda consideram muito elevado o preço
dessa iguaria.
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