| Rio Grande - RS
A maior praia do mundo
Tudo começou na cidade de Rio Grande (RS). Depois de
muita chuva as nuvens se foram, o sol reapareceu, mochilas e
equipamentos foram preparados. Era o momento de iniciar o Projeto
Litoral Brasil, partimos para a Cidade do Chuí e, de
lá, até a Barra do Chuí. Começamos
a caminhada em frente ao farol, que nos foi apresentado da seguinte
maneira pelo Cabo Melo, da marinha, um carioca perdido nos confins
do sul - "aqui começa ou termina o Brasil".
| Ofertamos presentes a Yemanjá, pedimos permissão
para atravessar seus domínios e lá fomos nós,
para uma viagem de 10 dias pela maior praia do mundo, e
também a mais inóspita e desabitada do Brasil.
Ela não tem um único nome, mais vai da Barra
do Chuí aos molhes da Barra de Rio Grande, na praia
do Cassino. (Nosso GPS, uma espécie de bússola
eletrônica, indicava 212 km em linha reta). |

Navio naufragado na década de 1970
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A praia, larga, pouco inclinada e de areia batida, facilitava
nossa caminhada e a de alguns turistas, que também circulavam
de carro, bicicleta e a pé. À frente, uma linha
reta a perder de vista. À direita, o mar. À esquerda,
dunas com alguma vegetação rasteira.
Chegamos ao balneário do Hermenegildo, uma grata surpresa
na pracinha do modesto mas simpático vilarejo: Yemanjá
nos contemplava, saudada por centenas de fiéis em procissão
pela praia.
No dia seguinte, entramos em contato com a natureza selvagem
da região. O objetivo era chegar ao Fronteira Aberta,
um farol fruto do mercosul. A presença humana ficava
cada vez mais rara, e apenas dois grupos de pescadores nos saudaram.
O vento nordeste, nosso velho conhecido das caminhadas pelo
sul da Bahia e Espírito Santo, soprava forte e dificultava
nossos passos, principalmente por causa do peso das mochilas
- que, além da bagagem normal, levavam alimentos, fogareiro,
saco de dormir e água. Logo percebemos que este último
item era desnecessário, pois havia água doce em
abundância no trajeto.
Chegamos muito cansados no Fronteira Aberta e apagamos
com o sol. O cansaço do dia anterior foi abrandado
pelo vento mais calmo e pelo fim da tarde na casa de Hamilton
Coelho, escultor que trabalha com materiais depositados
na praia, principalmente ossos de baleia. A lua cheia, a
erva amarga do chimarrão e um bom papo foram um passo
para uma noite de estranhos sonhos.
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Farol de Albardão |
A natureza nos dera mostra de sua força: uma nuvem gigantesca
nos seguiu pela praia, com raios e trovões e, no exato
momento em que entrávamos no farol, desabou uma enorme
tempestade. Parecia que o mundo havia acabado, mas logo depois
o Sol saiu, e ainda tivemos tempo de subir os 365 degraus até
o topo do Albardão, de onde observamos estasiados a paisagem.
Depois de três dias, partimos em direção
ao Verga, um pequeno farol desabitado. Para despender menos
energia, optamos por caminhar a noite. Foi bom dormir ao ar
livre, a beira do farol, sem chuva, apesar das nuvens pesadas.
Arrumamos nossas coisas e continuamos. A próxima parada
seria o farol Sarita , também desabitado. Antes pernoitamos
no alojamento do IBAMA.
Aos poucos, a maior praia do mundo ia sendo vencida. Mas isto
tinha seu preço. Durante a madrugada caiu um tremendo
temporal, seguido por um vento sudeste fortíssimo, que
levantou o mar pela manhã, tornando nossa caminhada impraticável.
Sentamos e esperamos o vento diminuir, até que viesse
uma tarde morna e tranquila. Mesmo assim caminhamos durante
o dia e, quando anoiteceu, encontramos a casa do João,
um pescador descendente de índios, que nos deu acolhida.
Ficamos na cabana conversando, tomando pinga, comendo charque
e ouvindo suas histórias (causos do Pampa Gaúcho
). Impagável; logo depois, apagamos.
Pela manhã, fomos acordados pelo vento, pelo sempre
poderoso vento sul. A temperatura baixou muito, e só
o chimarrão ajudava a esquentar. Estávamos próximo
ao nosso objetivo, mas a natureza ainda nos colocava a prova.
Mais uma vez, a maré alta dificultava nosso caminho.
Mesmo assim, resolvemos concentrar todas as nossa energias para
concluir a caminhada de chegada ao Balneário do Cassino.
Aos poucos, alguns carros pela praia sinalizavam que a primeira
etapa do projeto estava chegando ao fim. Passamos, ainda, por
um grande navio naufragado na década de 70, atualmente
uma atração turística.
Fonte: Zaz
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